segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Ó que delícia!

Há muito não recebo um texto que me tocasse tão profundamente... Não sei de quem é a autoria, mas gostei tanto, tanto, que vou postar aqui:

 Tô Idoso
Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo.
Eu me tornei meu próprio amigo. .. Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão "avant garde" no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.
 

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60&70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido ... Eu vou. Vou andar na praia em um calção excessivamente largo sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set. Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.

Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
 

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata. Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idoso. A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Gema e Clara

cozinhar é uma das mais puras formas de amor
em qualquer tempo
seja onde for
sem ser dar de bandeja

só sei ser verdadeira
passista primeira
do tipo que o mar serena
quando ela pisa na areia
não sou, mas ser ei a 
Ilustração Ana Oliveira

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Como comprar o Pequeno Manual de Astrologia & Estilo?

Rio de Janeiro:
Lojas:
Gabinete Duilio Sartori - rua Lopes Quintas, 87, Jd Botânico 

Mutações - Largo dos Leões e Galeria River 
Livrarias:
Argumento (Leblon) -  (21) 2239-5294
Assis (café Cosme Velho) Rua Cosme Velho, 174 lj 6 Laranjeiras  Tel.: (21) 2285-2575.
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ooks (livraria Unibanco Arteplex) Praia de Botafogo
Carga Nobre - PUC Gávea RJ
Empório das Letras (livraria cinema São Luis) Largo do Machado

Travessa - Centro, Barra, Ipanema e Leblon



 À partir da semana que vem, livrarias Cultura de SP e Brasília!

Vendas online para todo o Brasil:
Travessa
Maria Brechó

sábado, 17 de novembro de 2012

Mais sobre o Pequeno Manual





E nasceu a criança!
Na terça-feira, dia 13, tive a honra de receber os amigos  no Gabinete Duilio Sartori, ambiente lindo e único. Foi uma delícia! Gente bacana, astral excelente! Agradeço a presença de cada um dos amigos, pacientes e familiares, que compareceram para me prestigiar, apesar da chuva que pedia um pijama e um sofá...  Me senti muito querida e prestigiada.




fotos de Naná Viveiros, minha sócia no Maria Brechó

 Na ausência da ilustradora Adriana Tavares, em viagem fora do Rio, Henrique e Duilio, dois lindões,  mais do que rápido providenciaram um quadro fabuloso dela para ficar pertinho de mim na mesa de autógrafos. Adorei!
(Repare que até baguetes eu ganhei de presente, acho que era uma mensagem simbólica do meu amigo Marcelo: olha o ganha-pão! Amém!)

Aliás, a equipe do Gabinete é impecável: obrigada Duilio, Henrique, Bel, Gisele, Felipe, Rosa e Paulo.



Hoje, pra coroar o trabalho, saiu essa notinha no caderno Ela ---> Adriana Tavares, minha flor, comprei um exemplar do O Globo de hoje para você!       Fiquei toda feliz!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pequeno Manual de Astrologia & Estilo

O que dizer de um livrinho do qual sou a autora? Que é fruto de um processo, as vezes sofrido, outras muito muito prazerozo, o famoso processo criativo.  Meu dia a dia é pautado por incursões astrológicas no psiquismo do outro, em cada atendimento, esse é meu fascínio e meu ganha-pão. Nas horas de folga, me vejo cercada de peças de roupa, fazendo os textos descritivos para o Maria Brechó. Sabe quando você acha uma roupa linda, mas ela não é pra você? Não por não caber ou cair bem, mas por não ser a sua cara... Me pus então a pensar na forma de vestir de cada pessoa e na moda como meio de expressão da identidade: Astrologia e Estilo.  

Que, apesar de ter me aventurado por esse universo da moda, não sou nenhuma guru no assunto, muito ao contrário, sempre tive uma forma muito própria - e nem sempre apreciada - de vestir e, talvez, por isso mesmo, tenha considerado o livro como um instrumento para que cada um possa entender melhor os ingredientes que compõem a sua personalidade e consequentemente, seu jeito de ser.


Não teria sido possível realizar esse trabalho sem as preciosas e generosas contribuições de experts em moda e estilo. Contei com a colaboração de gente que sabe do riscado, talentos como Carolina Cronemberger, Chris Baerlein, Cristiane Kekei Mesquita, Daniella Martins, Domingos Alcântara, Evelyn Boninaro, Fernanda Villela, Glorinha Marques, Marcella Virzi, Mariana Salim, Pedro Cardoso, Renata Abranchs, Renata Salles Brun, Ronaldo Fraga e Rosanna Naccarato.


As ilustrações da amiga Adriana Tavares deram um charme todo especial ao projeto. Enfim, o compasso é de espera: o filhote vai nascer! 
Eis a carica dele:

Pequeno Manual de Astrologia e Estilo - 150 pags  - Editora Circuito

sábado, 15 de setembro de 2012

50 tons - preto no branco, cores berrantes e aquarelas

Acabo de ler o primeiro livro da trilogia de E L James, Cinquenta Tons de Cinza. O livro, que virou o hit do momento, segundo uma amiga minha, o "Harry Potter da mulherada", é um mergulho no erotismo, o que já torna a leitura instigante e interessante. Afinal, qualquer coisa que desperte a chama e nos faça explorar um pouco mais a sexualidade é em si um tônico. Já tô no 2!

Como recém li o Intimidade, da antropóloga Mirian Goldenberg, alguns conceitos dela me vêm à mente. O primeiro deles é o nosso desejo intrínseco de agradar ao parceiro. Queremos agradar, nascemos para agradar, nos agrada agradar. Na relação entre os personagens do 50 Tons, há um contrato explícito de dominação e submissão. Contrato esse que descofio estar presente na maioria dos relacionametos amorosos. Só que, diferente da narrativa do livro, essa questão está velada, implícita, não assumida, como se fossem aquelas letrinhas minúsculas que nunca ninguém lê... - O que agrada e o que desagrada o parceiro. O que devo fazer para ser recompensada? O que tenho medo de fazer e ser punida? - Cada relacionamento tem lá seu próprio jogo de poder... Cabe um alerta: quase sempre o que é obvio é invertido: "As vezes quem pede perdão é que está perdoando, e da vida recebe o troco quem paga pra ver..." como diz tão lindamente a poesia do samba Deixa de dar Defeito de autoria do meu amigo Rogê em parceria com Marcelinho Moreira.

Há muitos outros conceitos de Mirian presentes na trilogia, além desse da necessidade de agradar: o do corpo como capital, o da autovalorização pautada no ser a única na vida do parceiro, mas o conceito que mais me assusta é o da "miséria subjetiva". É o seguinte: em suas pesquisas com mulheres brasileiras, a antropóloga descobriu que a queixa da falta é recorrente. Umas queixam-se de falta de afeto na relação, outras, de falta de intimidade, outras ainda, da falta da relação em si... falta isso, falta aquilo, a lista das faltas é infinda... Mirian chama essa falta de miséria subjetiva. E voilá, na trilogia dos 50 Tons, lá está a falta... Como assim tanto e tão pouco?

Entendo que a falta é o que nos move, sem ela, poderíamos ficar mediocremente estagnados... E sei que a alma tem muitos anseios, cada um/uma de nós tem em si seu buraco negro... (Isso deve remontar a Freud e sua teoria de inveja do pênis... não sei, chego a pensar na falta como algo descrito na nossa própria anatomia... ) Mas a questão é que não quero ser um poço de insaciabilidade. Me recuso a pautar a vida no que me falta. E quando me sinto muito queixosa e faltosa, terror ao qual não sou imune, tento fazer o exercício de pensar no que eu tenho. Quero focar na metade cheia do copo. Xô xô, de mim, miséria subjetiva!



mais um samba, o samba salva! MANEIRAS, na voz do rei Zeca -

domingo, 9 de setembro de 2012

Independência ou morte!

Lendo Intimidade, livro da antropóloga Mirian Goldenberg, não dá pra não pensar na vida dentro de um contexto social de gênero onde as mulheres se impõem obrigações e tem-ques além da conta. Ao que parece, no Rio de Janeiro, se você não for jovem, não pode ser gostosa, muito menos se sentir... passou dos 40, tá passada; então, as pesquisadas além 50 se queixam, quase que em unanimidade, de estarem velhas demais para novas investidas amorosas... eita maluquice! Já as alemães da mesma faixa etária - diga-se de passagem, muito mais fisicamente detonadas do que as brasileiras - se percebem de uma outra forma, mais realizadas e experientes, parecem mais confortáveis com a maturidade, menos dependentes da aprovação da sociedade e de fatores externos. A ditadura do corpo perfeito pode esmagar a luz do indivíduo? ah que chatice... como se, de perto, alguém fosse perfeito... É quase inacreditável pensar que deixamos que o nosso senso de valor próprio e identidade seja regido por uma sociedade com valores e conceitos tão equivocados - e americanizados.

Assisti O Exótico Hotel Marigold, um filme inglês passado na India, onde a estética foge do botox para o brilho no olho. Nesse contexto, o envelhecimento é vivido mais simples e hamonicamente, não sem seus questionamentos e inevitáveis ajustes, porém, visto de uma forma mais leve, natural, sem a sombra da ilusão da eterna juventude... Um filme maravilhoso. Judy Dench, deusa, mostrando que dá pra fazer diferente.

Depois vi Histórias Cruzadas (The Help), uma outra referência de feminino no tempo e numa sociedade preconceituosa. Um filme extremamente claro em mostrar a crueldade de que são capazes as mulheres em seu mundinho bitolado e burro... a mesquinhez, a falsa noção de superioridade de raça. Mas a redenção no filme vem da nossa capacidade de união, da amizade e do respeito. E da ousadia de fazer diferente. Ah, a transgressão! Um filme muito sensível, comovente, imperdível. Viola Davis, arrasando.

O que tudo isso tem a ver? Mulherada, wake up and smell the coffee! Vamos abrir os olhos, com ou sem pé de galinha, e tirar os antolhos, as amarras, as algemas autoimpostas!

E viva a liberdade!