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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Como comprar o Pequeno Manual de Astrologia & Estilo?

Rio de Janeiro:
Lojas:
Gabinete Duilio Sartori - rua Lopes Quintas, 87, Jd Botânico 

Mutações - Largo dos Leões e Galeria River 
Livrarias:
Argumento (Leblon) -  (21) 2239-5294
Assis (café Cosme Velho) Rua Cosme Velho, 174 lj 6 Laranjeiras  Tel.: (21) 2285-2575.
Bl
ooks (livraria Unibanco Arteplex) Praia de Botafogo
Carga Nobre - PUC Gávea RJ
Empório das Letras (livraria cinema São Luis) Largo do Machado

Travessa - Centro, Barra, Ipanema e Leblon



 À partir da semana que vem, livrarias Cultura de SP e Brasília!

Vendas online para todo o Brasil:
Travessa
Maria Brechó

sábado, 17 de novembro de 2012

Mais sobre o Pequeno Manual





E nasceu a criança!
Na terça-feira, dia 13, tive a honra de receber os amigos  no Gabinete Duilio Sartori, ambiente lindo e único. Foi uma delícia! Gente bacana, astral excelente! Agradeço a presença de cada um dos amigos, pacientes e familiares, que compareceram para me prestigiar, apesar da chuva que pedia um pijama e um sofá...  Me senti muito querida e prestigiada.




fotos de Naná Viveiros, minha sócia no Maria Brechó

 Na ausência da ilustradora Adriana Tavares, em viagem fora do Rio, Henrique e Duilio, dois lindões,  mais do que rápido providenciaram um quadro fabuloso dela para ficar pertinho de mim na mesa de autógrafos. Adorei!
(Repare que até baguetes eu ganhei de presente, acho que era uma mensagem simbólica do meu amigo Marcelo: olha o ganha-pão! Amém!)

Aliás, a equipe do Gabinete é impecável: obrigada Duilio, Henrique, Bel, Gisele, Felipe, Rosa e Paulo.



Hoje, pra coroar o trabalho, saiu essa notinha no caderno Ela ---> Adriana Tavares, minha flor, comprei um exemplar do O Globo de hoje para você!       Fiquei toda feliz!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pequeno Manual de Astrologia & Estilo

O que dizer de um livrinho do qual sou a autora? Que é fruto de um processo, as vezes sofrido, outras muito muito prazerozo, o famoso processo criativo.  Meu dia a dia é pautado por incursões astrológicas no psiquismo do outro, em cada atendimento, esse é meu fascínio e meu ganha-pão. Nas horas de folga, me vejo cercada de peças de roupa, fazendo os textos descritivos para o Maria Brechó. Sabe quando você acha uma roupa linda, mas ela não é pra você? Não por não caber ou cair bem, mas por não ser a sua cara... Me pus então a pensar na forma de vestir de cada pessoa e na moda como meio de expressão da identidade: Astrologia e Estilo.  

Que, apesar de ter me aventurado por esse universo da moda, não sou nenhuma guru no assunto, muito ao contrário, sempre tive uma forma muito própria - e nem sempre apreciada - de vestir e, talvez, por isso mesmo, tenha considerado o livro como um instrumento para que cada um possa entender melhor os ingredientes que compõem a sua personalidade e consequentemente, seu jeito de ser.


Não teria sido possível realizar esse trabalho sem as preciosas e generosas contribuições de experts em moda e estilo. Contei com a colaboração de gente que sabe do riscado, talentos como Carolina Cronemberger, Chris Baerlein, Cristiane Kekei Mesquita, Daniella Martins, Domingos Alcântara, Evelyn Boninaro, Fernanda Villela, Glorinha Marques, Marcella Virzi, Mariana Salim, Pedro Cardoso, Renata Abranchs, Renata Salles Brun, Ronaldo Fraga e Rosanna Naccarato.


As ilustrações da amiga Adriana Tavares deram um charme todo especial ao projeto. Enfim, o compasso é de espera: o filhote vai nascer! 
Eis a carica dele:

Pequeno Manual de Astrologia e Estilo - 150 pags  - Editora Circuito

sábado, 15 de setembro de 2012

50 tons - preto no branco, cores berrantes e aquarelas

Acabo de ler o primeiro livro da trilogia de E L James, Cinquenta Tons de Cinza. O livro, que virou o hit do momento, segundo uma amiga minha, o "Harry Potter da mulherada", é um mergulho no erotismo, o que já torna a leitura instigante e interessante. Afinal, qualquer coisa que desperte a chama e nos faça explorar um pouco mais a sexualidade é em si um tônico. Já tô no 2!

Como recém li o Intimidade, da antropóloga Mirian Goldenberg, alguns conceitos dela me vêm à mente. O primeiro deles é o nosso desejo intrínseco de agradar ao parceiro. Queremos agradar, nascemos para agradar, nos agrada agradar. Na relação entre os personagens do 50 Tons, há um contrato explícito de dominação e submissão. Contrato esse que descofio estar presente na maioria dos relacionametos amorosos. Só que, diferente da narrativa do livro, essa questão está velada, implícita, não assumida, como se fossem aquelas letrinhas minúsculas que nunca ninguém lê... - O que agrada e o que desagrada o parceiro. O que devo fazer para ser recompensada? O que tenho medo de fazer e ser punida? - Cada relacionamento tem lá seu próprio jogo de poder... Cabe um alerta: quase sempre o que é obvio é invertido: "As vezes quem pede perdão é que está perdoando, e da vida recebe o troco quem paga pra ver..." como diz tão lindamente a poesia do samba Deixa de dar Defeito de autoria do meu amigo Rogê em parceria com Marcelinho Moreira.

Há muitos outros conceitos de Mirian presentes na trilogia, além desse da necessidade de agradar: o do corpo como capital, o da autovalorização pautada no ser a única na vida do parceiro, mas o conceito que mais me assusta é o da "miséria subjetiva". É o seguinte: em suas pesquisas com mulheres brasileiras, a antropóloga descobriu que a queixa da falta é recorrente. Umas queixam-se de falta de afeto na relação, outras, de falta de intimidade, outras ainda, da falta da relação em si... falta isso, falta aquilo, a lista das faltas é infinda... Mirian chama essa falta de miséria subjetiva. E voilá, na trilogia dos 50 Tons, lá está a falta... Como assim tanto e tão pouco?

Entendo que a falta é o que nos move, sem ela, poderíamos ficar mediocremente estagnados... E sei que a alma tem muitos anseios, cada um/uma de nós tem em si seu buraco negro... (Isso deve remontar a Freud e sua teoria de inveja do pênis... não sei, chego a pensar na falta como algo descrito na nossa própria anatomia... ) Mas a questão é que não quero ser um poço de insaciabilidade. Me recuso a pautar a vida no que me falta. E quando me sinto muito queixosa e faltosa, terror ao qual não sou imune, tento fazer o exercício de pensar no que eu tenho. Quero focar na metade cheia do copo. Xô xô, de mim, miséria subjetiva!



mais um samba, o samba salva! MANEIRAS, na voz do rei Zeca -

domingo, 9 de setembro de 2012

Independência ou morte!

Lendo Intimidade, livro da antropóloga Mirian Goldenberg, não dá pra não pensar na vida dentro de um contexto social de gênero onde as mulheres se impõem obrigações e tem-ques além da conta. Ao que parece, no Rio de Janeiro, se você não for jovem, não pode ser gostosa, muito menos se sentir... passou dos 40, tá passada; então, as pesquisadas além 50 se queixam, quase que em unanimidade, de estarem velhas demais para novas investidas amorosas... eita maluquice! Já as alemães da mesma faixa etária - diga-se de passagem, muito mais fisicamente detonadas do que as brasileiras - se percebem de uma outra forma, mais realizadas e experientes, parecem mais confortáveis com a maturidade, menos dependentes da aprovação da sociedade e de fatores externos. A ditadura do corpo perfeito pode esmagar a luz do indivíduo? ah que chatice... como se, de perto, alguém fosse perfeito... É quase inacreditável pensar que deixamos que o nosso senso de valor próprio e identidade seja regido por uma sociedade com valores e conceitos tão equivocados - e americanizados.

Assisti O Exótico Hotel Marigold, um filme inglês passado na India, onde a estética foge do botox para o brilho no olho. Nesse contexto, o envelhecimento é vivido mais simples e hamonicamente, não sem seus questionamentos e inevitáveis ajustes, porém, visto de uma forma mais leve, natural, sem a sombra da ilusão da eterna juventude... Um filme maravilhoso. Judy Dench, deusa, mostrando que dá pra fazer diferente.

Depois vi Histórias Cruzadas (The Help), uma outra referência de feminino no tempo e numa sociedade preconceituosa. Um filme extremamente claro em mostrar a crueldade de que são capazes as mulheres em seu mundinho bitolado e burro... a mesquinhez, a falsa noção de superioridade de raça. Mas a redenção no filme vem da nossa capacidade de união, da amizade e do respeito. E da ousadia de fazer diferente. Ah, a transgressão! Um filme muito sensível, comovente, imperdível. Viola Davis, arrasando.

O que tudo isso tem a ver? Mulherada, wake up and smell the coffee! Vamos abrir os olhos, com ou sem pé de galinha, e tirar os antolhos, as amarras, as algemas autoimpostas!

E viva a liberdade!



domingo, 15 de maio de 2011

Um homem pra chamar de seu

Acabei de ler um livro chamado O Mundo Pós-Aniversário, de Leonel Shriver. Logo no começo da história, a personagem principal, que é casada, sente enorme atração por um amigo do casal. A partir daí, o livro se alterna em duas narrativas. Na primeira, ela resiste à tentação e continua casada, embora empurrando para debaixo do tapete seus anseios e frustrações para não "criar problema". Na segunda, ela inicia um romance com o amigo e deixa o marido para ir viver o novo amor. Nessa segunda relação, ela se vê relegando o seu trabalho para orbitar em torno do novo marido. De uma ou outra forma, a trama nos faz refletir sobre temas como segurança, submissão, auto estima, erotismo e tudo o que compraz o universo ou papel do feminino dentro de um relacionamento amoroso. É impossível não se identificar com a personagem e também não se aturdir com as "burrices" dela... uma leitura muito interessante e instigante que nos coloca frente à frente com nossas próprias barganhas relacionais.

É essencial ressaltar o quanto, apesar de todas as conquistas no âmbito sócio-econômico, nós mulheres continuamos tendo a vida amorosa como fonte primordial de validação da nossa existência/felicidade. Talvez por questões fora do alcance consciente... Recebemos uma herança de crença coletiva que pode sussurar ou gritar frases como "você é independente demais para atrair um homem", "o fim do seu casamento foi culpa sua, você não soube "segurar" o seu marido", "coitada de você, está sozinha... não dá sorte nos relacionamentos!" Se essas vozes estão secretamente no comando, que preço estamos dispostas a pagar para ter um relacionamento? Calar essas vozes talvez seja uma tarefa individual, mas que precisa ser trazida à luz da discussão se for para transmitirmos às gerações futuras conceitos mais flexíveis de felicidade.

No último programa Saia Justa, exibido no GNT, foi posto em debate o resultado de uma pesquisa da cientista social Debora Emm, exatamente sobre esse tema. A revelação de um segredo íntimo, a nossa sensação de inadequação ou incompetência quando estamos sozinhas. Vale assistir:

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ventanias

Continuar esperar
esperança entrar,
se escolho ou se tenho,
sem saber empenho.

Cada uma
deixando nascer,
Não irá abortar
com medo de crescer.

Comum então será o dia,
em que loucas ventanias
olhar-se-ão,
reconhecendo teores,abraçando dimensões.

São dimensões urbanas
essas a que me jogo.

Às vezes danço sozinha,
como na panela,
não tenho nome,
às vezes ando distraída.



foto: Maria Cardim, Corumbau, 2010

Ainda do mesmo livro:

Outubro

O que tenho para falar
acontece.
Percebe-se olhando
o que entra,
envolve e passa,
acontece.

A lua nova de outubro
passando estremece e...
vai, continua empurrando,
envelhece e vive.

Viver é envelhecer,
viver envelhece.

Ventanias e Outubro são poemas de Solange Casotti, do livro Ventanias, Sete Letras, 1997.


sábado, 16 de outubro de 2010

A louca da Casa

Em recente viagem, deparei-me com um livro que havia sido recomendado por uma amiga há alguns anos, A Louca da Casa, de Rosa Montero. Fiquei encantada. Não sou resenhista e não saberia dizer se é um romance, uma auto-biografia, ou o quê... um livro sobre o processo criativo, o interior profundo de todos nós, sobre sonhos, imaginação, sobre a arte de escrever, sobre amor, loucura, e vida.

Rosa fala sobre as inseguranças e fantasmas que rondam os criativos, dos temas que parecem ter vida própria, dos padrões que aparecem subitamente na escrita, das dores e delicias de deixar a imaginação, "a louca da casa", entrar em ação.

"Porque os romances, assim como os sonhos, nascem num território profundo e movediço que se situa para além das palavras. E nesse mundo saturnal e subterrâneo, reina a fantasia." pág. 19

Se você gosta de ler, de escrever, de pensar, de viver, vai gostar.


MONTEIRO, Rosa; A louca da casa; tradução de Paulina Wacht e Ari Ritman - Rio de Janeiro : Ediouro, 2004.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mudança, um tônico

Tenho a maior admiração pela escritora, poeta e cronista Lya Luft, acho-a um exemplo de mulher que se reinventa, sem inventar demais, se é que você me entende... Um dos livros dela, O Rio do Meio é, certamente, um dos meus "favoritos da vida". Há algum tempo, recebi um email contendo um texto dela, aquelas coisas da internet que a gente nunca sabe se a autoria está correta... Adorei o texto, encaminhei a uma amiga e agora resolvi publicar aqui. (O blog anda meio abandonadinho, mas ainda adoro poder partilhar coisas com meus amigos por esta via.)
Aí vai o maravilhoso texto (que agora descobri ser da Martha Medeiros*):

"
Os olhos da cara

Recentemente participei de um evento profissional só para o público feminino. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. Principalmente idades. Lá pelas tantas fui questionada sobre a minha, e como não me envergonho dela, respondi. Foi um momento inesquecível. A platéia inteira fez um "oooohh" de descrédito. E quando eu disse que, até aqui, ainda não enfiei uma única agulha no rosto ou no corpo, foi mais emocionante ainda: "oooooooooooooooohhhhhh". Aí fiquei pensando: pô, estou nesse auditório há quase uma hora exibindo minha incrível e sensacional inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa na mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho. Onde é que nós estamos?

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado "juventude eterna". Estão todos em busca da reversão do tempo, e com sucesso: quanto mais ele passa, mais moços ficamos. Ok, acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se mudança. Eu sei disso, você sabe, e a escritora Betty Milan também, tanto que enfatizou essa frase em seu mais recente livro, Quando Paris Cintila. De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de sermos idosos sem envelhecer é não nos opormos a novos comportamentos, é termos disposição para guinadas. É assim que se morre jovem, sem precisar ter o mesmo destino de um James Dean ou de uma Marylin Monroe. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou-se do apartamento em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras que havia guardado, e mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu. Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos de idade. Rejuvenesceu. Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um ótimo emprego em Porto Alegre por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela caminha na beira da praia todas as manhãs. Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.

Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco, porque não existe plástica que resgate seu brilho. O que dá brilho ao nosso olhar é a vida que a gente optou por levar. Um olhar iluminado, vivo e sagaz impede que a pessoa envelheça. Olhe-se no espelho. Você tem um olhar de quem estaria disposta a cometer loucuras? Tem que ter.

E aí pode abrir o jogo, contar a verdade: tenho 39, 46, 57, 78 anos! Ooooooohhhhh. Uma guria."


Outra coisa que quero partilhar, ainda sobre o mesmo tema, é um livro chamado Wisdom (sabedoria), de Andrew Zuckerman, uma coletânea de depoimentos sobre envelhecimento, vida, sobre sabedoria de vida. Não tenho o livro... mas dois dos depoimentos que aparecem no vídeo me marcaram muito. O primeiro foi o do fabuloso maravilhoso Robert Redford, em que ele diz mais ou menos assim: "Sabedoria tem a ver com experiência, o que por sua vez inclui correr riscos e se aventurar". O outro, que amei, foi uma frase da escritora inglesa Rosamund Pilcher, ela diz simplesmente: "Você não deixa de fazer as coisas porque fica velho, você fica velho porque deixa de fazer as coisas."
Para assistir um breve vídeo sobre o projeto, clique aqui.


a beleza e elegância da sra. Rosamund Pilcher (foto tirada da internet)

* ERRATA:
o texto acima creditado à Lya Luft é de fato de uma outra cronista que adoro, Martha Medeiros, chama-se OLHOS DA CARA e foi publicado no jornal Zero Hora, em 1 de junho de 2008. (Minhas amigas Bia e Verônica, luas em Libra, têm razão.)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Oração Natural

Foi através da minha saudosa fada madrinha, Tina Pereira, que primeiro ouvi esse poema que vou postar hoje. Desde que Tina morreu, o escutei outras vezes em homenagens à ela, recitado por seus alunos/filhos da Orquestra de Sopros da Pro-Arte, sem no entanto saber de quem era... A orquestra prossegue com dedicação o trabalho maravilhoso que Tina começou: sábado último, emocionada, os assisti tocando Luiz Eça, no Espaço Tom Jobim, uma lindeza! Foi lá que tive a chance de pedir a uma amiga em comum (obrigada, Tetê!) que me enviasse o poema pelo qual havia me apaixonado, que, agora sei, faz parte do livro Mundo Mudo (2003), do poeta mineiro Donizete Galvão: Oração Natural
Fique atento
ao ritmo,
aos movimentos
do peixe no anzol.
Fique atento
às falas
das pessoas
que só dizem
o necessário.
Fique atento
aos sulcos
de sal
da sua face.
Fique atento
aos frutos tardios
que pendem
da memória.
Fique atento
às raízes
que se trançam
em seu coração.
A atenção:
forma natural
de oração.
foto: do atento amigo Celso Pereira http://celsopereira.com.br/

domingo, 1 de novembro de 2009

Sobre bichanos

Mais um domingo de chuva, véspera de feriado e eu, de preguiça em casa, graças a deus! Vou até a cozinha pra lavar a louça do almoço e ouço um miadinho de gato filhote, muito perto, vindo do corredor do prédio. Abro a porta da cozinha e dou de cara com uma fofolita cinza e branca, esguia e filhotinha, um amor! A essa altura a gata que temos aqui em casa, Juju, já está soltando uns barulhos de estranhamento através da porta da sala, que está devidamente fechada para assegurar a integridade da pequena... sei lá se nossa gata vai achá-la tão lindinha quanto a gente... Juju tem 7 anos e quase nenhum convívio com seus colegas... uma pena!

Pelo bom estado da gatinha, presumimos que ela seja de algum outro morador do prédio, também porque, se não for de um morador, como foi que veio parar no corredor do prédio? pelo sim, pelo não, batemos no apartamento vizinho, sabemos que lá há gatos. O vizinho diz que não é dele, mas também fica encantando com a recém chegada... como os gatos dele são machos, decidimos que a fofolita vai ficar abrigada na casa dele até que o dono apareça. Colocamos um comunicado na portaria dizendo o paradeiro da charmosa. Entro em casa com um misto de dúvida: "se ela apareceu na porta aqui de casa, será que não deveríamos adotá-la? se um dono não aparecer, ela vai ser nossa", decido impulsiva.

O que me leva a escrever essa postagem é o fato das pessoas terem tanta birra com gatos. Quando um gato é carinhoso e afável, sempre tem alguém que diz: "nossa, ele parece um cachorro!" e isso deve ser ouvido como um elogio... Já ouvi todo o tipo de asneira, que gato é traiçoeiro, que não gosta de ninguém, e blá blá blá. Então vamos lá: quem não gosta de gatos simplesmente não os conhece! Porque quem já teve a chance de conviver com um, e é mínimamente antenado com o sutil, ama gatos. O convívio é necessário pois raramente os gatos têm com um visitante o carinho que têm com os "de casa".

Carinhosos, atentos, perceptivos, brincalhões, inteligentes e comunicativos, gatos são deliciosos de conviver. Gostam de gente que gosta de música e de livros. A nossa, se deita de barriga para cima querendo um afago todas as vezes que um de nós chega em casa. Basta contar que uma vez eu estava de cama com uma gripe horrorosa e minha gata vinha volta e meia checar se eu estava respirando, isso mesmo, ela se aproximava e colocava o nariz sob o meu, depois se afastava e deitava à meus pés.

A dadivosa Dra Nise da Silveira tem um livro chamado "GATOS, A EMOÇÃO DE LIDAR", recomendo a leitura para quem queira conhecer melhor esses amigos tão amáveis.

foto: Rodrigo Romano

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ele simplesmente não está a fim de você

É o título de um livro escrito por Greg Behrendt e Liz Tuccilo, ambos roteiristas da série Sex and the City, publicado aqui pela editora Rocco. Como se pode notar pelo título, o livro é um verdadeiro balde de água fria naquelas mil e oitenta desculpas que as mulheres costumam dar para o descaso dos homens que dizem que vão ligar e não ligam (nem atendem as ligações), também pra aqueles que vêm com um papinho do tipo “não estou preparado pra ter um relacionamento agora” e “você é uma mulher muito legal mas, blá blá blá” (pode preencher o blá blá blá com sua imaginação).

Ouvi falar desse livro há uns quatro anos, mas só o comprei uns dois anos depois. Estava conversando com uma amiga sobre esses assuntos, entramos numa livraria e, munidas do livro, sentamos em um café. Demos muita risada folheando juntas e lendo uma para a outra a cartilha de Greg e Liz. Nos identificamos, identificamos amigas, e, em alguns trechos, era rir para não chorar da perda de tempo que determinadas relações podem ser.

O livro traz relatos de inúmeras mulheres que sofrem por não ter dos homens a atenção merecida, seguidos da opinião de Greg, que detona o auto-engano, rasgando em pedacinhos o véu da ilusão. Apesar de não concordar piamente com Greg no capítulo sobre traição por achar que é radical demais, a verdade do livro é inegável.

Se enganar, assim como ser enganada, rejeitada, ou tomar um olímpico pé na bunda, faz parte da trajetória de todo mundo que se aventura no amor. O problema não é entrar numa roubada, (isso é normal): o problema é insistir nela, não mudar de padrão. Se por acaso você estiver investindo sua energia em uma relação com alguém que você acha que, no fundo, gosta de você, mas que contradiz a sua teoria em todas as atitudes, leia o livro. Saia já do auto-engano e valorize-se!

domingo, 18 de maio de 2008

A nova família

Outro dia estava em uma festa de aniversário quando o assunto cambou para o fato de reis e rainhas não viajarem no mesmo avião que seus herdeiros, pois em caso de acidente, o país ficaria sem monarca. Foi quando uma amiga disse: "taí a vantagem de filhos de pais separados: eles nunca vão perder pai e mãe em um mesmo acidente!" Inicialmente, todos acharam graça, mas dali por diante, começamos a enumerar os ganhos da criança de pais separados, e ao contrário do que se pensa, eles existem.

O divórcio marca o fim de um casamento, não o fim da família. É natural que inicialmente as coisas fiquem um pouco confusas até que todos tenham se adaptado à nova condição. O essencial para os filhos é não virarem moeda de troca, não serem postos no meio da briga. Que os pais se tratem com um mínimo de civilidade e não fiquem falando mal um do outro. Se há mágoas, que essas sejam trabalhadas com amigos e terapeutas, não com as crianças. Filhos querem poder estar com pai e mãe em datas importantes, como aniversários e apresentações do teatro da escola, sem que o fato estarem todos em um mesmo lugar seja motivo de tensão e conflito.

Quando os pais recasam, as famílias crescem, o filho passa a ter mais referências, mais pessoas a quem recorrer, a quem amar. As famílias ganham agregados, novos tios, avós, graus de parentesco tão novos que não há termos em nossa língua para designá-los. Usamos "avô-postiço" e "tio-emprestado", mas o "postiço" e o "emprestado" já estragam um pouco o vínculo. Meu pai, por exemplo, tem quatro filhos de outros casamentos e nunca os apresento como "meio-irmãos", refiro-me a eles como irmãos simplesmente, e quando tenho que explicar, prefiro dizer que são meus irmãos por parte de pai, acho mais simpático.

Temos muito o que aprender sobre a nova família, por isso recomendo a todos o livro DUAS CASAS E UMA MOCHILA que a terapeuta de família Sonia Mendes lança no próximo dia 25. Tenho certeza que o livro vai ajudar muitas crianças e pais a viverem melhor esse momento tão conturbado da separação.