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sábado, 3 de agosto de 2013

Liberdade para as borboletas

Tenho pensado muito sobre a postura das mulheres. Falo daqui do Rio de Janeiro, mas creio estar falando do Brasil como um todo, um país que se diz católico, talvez neo-evangélico. Duas doutrinas que repreendem e amarram terrivelmente o feminino. No catolicismo, a santíssima trindade é pai, filho e espírito santo. O feminino é excluído ou retratado aos pedaços: Maria, a virgem, é mãe e santa, Madalena, a prostituta. Creio que a grande maioria das mulheres esteja em algum lugar do meio nessa pobre e indigesta composição. As igrejas trabalham pelo enfraquecimento da mulher, suas escolhas e liberdade de ação.

De muito pouco vale que hoje sejamos chefes de família se não mudarmos a postura machista de submissão sem consciência ou visão, onde a repressão passa a vir das das próprias mulheres para com suas semelhantes, filhas e irmãs. O machismo é assim perpetrado de geração em geração. Triste. Uma atitude sombria e arrogante. Irônico que ao olhar para países muçulmanos, por exemplo, essas mesmas mulheres se digam horrorizadas com as mortes por apedrejamento, as burcas, a remoção dos clitóris... Quando, no simbólico, estão, elas mesmas, escondidas atrás de burcas da hipocrisia, apedrejando com severas críticas, julgamento e superioridade as que tentam se libertar e ter voz, repreendendo todo o tempo o prazer da outra. É nesse lugar da repressão simbólica, em nome da sociedade, da moral e dos bons costumes, que está a mulher brasileira.

Não quero ofender a fé de ninguém, trata-se de uma questão tão arraigada que é difícil crescer aqui e buscar alguma outra percepção. Todas já sentimos na carne a dor do preconceito e da submissão. A autoanálise é fundamental para o processo de vida, saúde e evolução do feminino. Chega de submissão e repressão, sinceramente. Meu amigo, o astrólogo Marcos Kolker observou: "A primeira forma de opressão que se conhece na sociedade é a do homem sobre a mulher. Engels dizia isso.Tirar o direito das mulheres e tirar o direito sexual de uma pessoa é fascismo, e é a raíz das tiranias e opressões!" 



É preciso estarmos atentas sempre aos nossos atos, posturas e palavras, se quisermos, um dia, caminhar para fora dessa armadilha letal.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

meus heróis morreram de overdose

Quando eu era adolescente e não sabia nada da vida, mas achava que sabia tudo, pensava que todo mundo da minha geração cresceria para ser quem fosse, que a minha geração mostraria a que veio. Que, quando estivéssemos no poder, não haveria mais corrupção, nem hipocrisia, nem agrotóxico!!!! Que nossas prioridades seriam o ser humano, a qualidade de vida e não os jogos de poder e o
dinheiro. No nosso mundo adulto não haveria tanta injustiça, nem os sem-terra, nem os sem-teto, nem muito menos índio desprotegido...

Pode debochar, eu era uma inocente... o ácido de Woodstock veio parar na minha veia, e eu virei hippie, paz e amor, pra nunca mais ser diferente... sou da geração flower power, (gente que nasceu entre 60 e 70), pra quem não conhece, o povo da resistência pacífica, que ouve rock, faz a curva e não tem medo da morte, que canta pela liberdade, pela independência, e que não pode causar mal nenhum, a não ser a si mesmo. Um povo amigo, com espírito tribal, que enxerga os velhos e as crianças como responsabilidade coletiva. Uma geração que veio para revolucionar.

Daí a minha indignação com as prioridades dos atuais governantes do meu estado e da minha cidade - não votei neles, mas ainda assim, são dessa geração e portanto, deveriam ser desprovidos de tamanha hipocrisia e ganância. Mas não... Estão ficando, de fato já ficaram, muito ricos com os cargos que ocupam, mas se esqueceram do propósito e do real significado de estarem onde estão. São um desperdício.

Cabral e Paes são uns vendidos, uns covardes. Estão perdendo a chance de realizar um trabalho fantástico, tudo em prol do seu enriquecimento pessoal e dos interesseses sórdidos de empresários como  Cavendish e Eike... Conseguiram endividar um estado rico, acabar com o bondinho de Sta Tereza, venderam o maracanã, estão deixando subir construçãoes em áreas de preservação ambiental, despejam esgoto sem tratamento nas praias... e a lista segue... Quer saber? asssuntinho da semana: vocês são mesmo uns merdas! Vocês são tudo que o deveria morrer e não morreu. Vocês trairam a sua geração. Mas esquecem que vocês mesmos e seus filhos também vivem aqui e de que o lixo vai ser cuspido de volta em cima de vocês. Segredos são revelados, helicópteros caem... e isso, não há fortuna pessoal que emende. Os amigos do Renato Russo e Cássia Eller sabem do que eu estou falando.



domingo, 23 de outubro de 2011

Embalado individualmente

Como não sei para quem reclamar, desabafo aqui mesmo... à beira do caos ecológico e da entrada de Netuno em Peixes, me parece óbvio que deveríamos estar econômicos com as embalagens, especialmente as de plástico. Ao invés disso, tenho notado que agora tudo é embalado um a um... estamos gastando mais em embalagem. Na verdade, muito mais do que gastávamos há poucos anos. Não faz muito tempo, por exemplo, que os modess, absorventes higiênicos, vinham todos dentro de uma única caixa ou saco, dobrados ou retos, ali, juntinhos num grupinho. Agora vêm embalados um a um, noutro plastiquinho, tipo, cada um no seu. Por que?

Canudo, ketchup, maionese, guardanapo de papel, tudo agora é embalado individualmente, um a um, tudo tem capa! Não entendo! A gente não deveria estar economizando os recursos do planeta? ou esqueceram de avisar isso pro pessoal que é designer e marqueteiro das indústrias? De vez em quando me pergunto o que faz o marketing de uma empresa de cosméticos, por exemplo, não pensar em reciclagem, em sistemas de refil, onde o cliente paga só pelo produto, não pela embalagem, que ele, inclusive, já tem.

Comentei com uma amiga, ela disse: "Adriana, o povo tá pa-ra-nói-co com bactéria, repara só!" Ah, pensei, então é por isso que até o açúcar, agora, nos bares e cafés daqui, vem numa embalagem individual??? Jesus! Nunca ouvi dizer que alguém tenha morrido porque tomou café no bar tal com açúcar estragado... Nem acho que condimentos, como ketchup e maionese precisem ficar em saquinhos 'cada um na sua'. Basta o dono do estabelecimento comercial lavar os frascos e mantê-los limpos e frescos, ou tô louca?

Numa clínica de terapia ou salão de beleza, você sabia que é lei ter copos descartáveis? Pois é! Aqui no RJ, pelo menos, as leis estão burras assim! Super politicamente corretas com a vigilância sanitária. Copo de vidro em salão de beleza? Não pode! Quem foi o mentor dessa lei, gente? Quando a lei mudou? Será lei municipal, estadual ou federal? O que há de errado em LAVAR os copos de vidro? O que aconteceu com o velho e eficiente trio água- esponja-detergente? Se a paranóia é de doença e contágio, cada pessoa deveria então andar com seu próprio copinho!

Quando alguém me serve um cafézinho em copo de plástico ou isopor, cismo que a quentura do café fez derreter um pouco do plástico e que vou tomar café-com-plástico! Pode parecer loucura, mas isso sim: loucura - cada um com a sua. Essa é a minha, embalada individualmente. Não tomo nada quente dentro de copo de plástico. Tenho medo da química! Sempre que tenho opção, prefiro um copo de vidro, uma xicrinha...

Será que houve alguma epidemia secreta por causa de canudo com leptospirose? Canudos com camisinha fazem parte do 'choque de ordem' do atual prefeito??? Ainda mais cinicamente falando: que empresas estarão lucrando com o 'universo dos sachês & embalagens individuais'? Não vai adiantar nada ter muito dinheiro e tudo devidamente esterelizado e embalado se não tiver peixe no mar... Pelas barbas de Netuno!

Loucuras à parte, já parou pra pensar na quantidade de lixo formada apenas por copinhos de plástico, camisinhas de canudos e sachês de mostarda, ainda, mini plastiquinhos embaladores de modess, sacos de mercado e tralha e tal, pra onde vai tanto desperdício, minha gente???
Vai contaminar o solo e os oceanos... e a gente precisa deles pra viver, não precisa?

O que custa mais caro, educar uma criança ou arcar com um presidiário? Investir em embalagens eficientes e responsáveis ou em aterros sanitários? Perdoe a minha chatice, mas de vez em quando faço umas contas, assim, no pensamento, em pleno domingão... E boa semana pra você também!



foto: Maria e Renata - Corumbau - mar da Bahia

domingo, 16 de janeiro de 2011

Tragédia em 3 atos

Primeiro ato - estou no show da Amy Winehouse, setor cadeiras 1, fico todo o tempo anterior ao show com a minha amiga em pé em um lugar super ultra estratégico, onde não atrapalhávamos a visão de ninguém e ninguém a nossa. O show começa. Amy está ótima, tudo de bom! De repente aparece uma quarentona e suas duas filhas adolescentes, uma com uns 16, a outra com uns 12. Na maior cara de pau, a perua se prostra na minha frente e incentiva as filhinhas lendeas a ficarem na frente da minha amiga. Com toda a educação, toco gentilmente no ombro da folgada e digo: "dá pra vocês chegarem um pouquinho para o lado? Vocês estão na nossa frente..." Ao que a bruaca retruca secamente: "Não! Tô afim de ficar aqui mesmo!". Primeiro, fantasiei sobre empurrá-la escada abaixo, numa mistura de dia de fúria com a noiva de chuck. Depois, olhei com uma calma ártica para sua bolsinha de corrente dourada, Chanel falsa, e para seu iphone (ela filmava o show ao invés de assistir e curtir) e senti profunda repulsa por ela, por sua sua noção de grande importância e esperteza e pela educação(?) e exemplo que estava dando às filhas. Com garra, apelei para o divino e evoquei o Exu-tira-essa-gentalha-daqui-já, uma entidade que inventei, mas a qual respeito profundamente, porque, com Exu, inventado ou não, você sabe, não se brinca. A intrusa pode não ter obedecido a mim, ou às normas da boa vizinhança, mas à Ele, ela obedeceu. Ah se não obedeceu... E foram elas com suas chanelzinhas da china, iphones e blackberries se chegando para o lado e nossa visão glamurosa de Amy voltou a reinar.

Segundo ato - dia seguinte. Sinto uma angústia, não se trata se um mau pressentimento, só coisa minha, angústias pessoais. É madrugada e choveu muito. Passo a noite meio que em claro. Meu pai vê que estou online no skype e me liga às duas da manhã, não era nada, só uma conversa boa, que até ajudou a acalmar meu coração. Ainda meio agitada, vou dormir. Acordo para descobrir a catástrofe que assolou a região serrana. Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, não sei quantos mortos, muitos. Gente desabrigada. Terror total. Não consigo ver o noticiário inteiro, tudo é triste demais. Sinto que estamos totalmente desamparados.

Terceiro ato - ainda sobre a tragédia, ouço especialistas na TV dizerem que as chuvas e inundações são consequências diretas do desmatamento na Amazônia. O negócio tem nome: zona de convergência do atlântico. Vejo Dilma e Cabral falarem sobre sei lá o quê, eles falam de tudo menos de dar um jeito no desmatamento desenfreado. Para eles, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Não ouvem os especialistas. Há planos, inclusive, de fazer uma hidrelétrica na região norte. São exatamente como a madame tenebrosa do show da Amy - querem que todo mundo se dane, contanto que continuem a mamar na grande teta. Vejo meus amigos e outras pessoas da cidade e empresas e entidades se mobilizando para enviar alimentos, medicamentos e ajuda aos que sobreviveram. Call me old fashioned, podem me chamar de antiga: mas sou de tempo em que Nando Reis se atinha a cantar as próprias músicas ao invés de gravar - Muito Estranho - Dalton, que os governos deviam de fato cuidar da soberania e dos interesses da população de um país, e que chuvas de verão eram só chuvas de verão e não consequências de ganância e ignorância. Tenho inveja dos raçudos hermanos argentinos: por muito menos, vão para a rua e fazem um panelaço.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Bia Diniz - sobre a chuva e o descaso

(Vou publicar o texto da minha amiga, sem tirar, nem por:)

Há mais de 30 anos não se vê uma chuva tão forte como a que cai no Rio de Janeiro desde ontem [segunda, 5 de abril]. Sem dúvida, é uma quantidade enorme de água caindo do céu. Porém, não dá mais para se aceitar que as ôtoridades fiquem sentadinhas em seus gabinetes esperando a chuva chegar e ir embora.

Sempre que chove ocorrem os mesmo problemas por aqui. A água não escoa porque os bueiros estão entupidos de lixo que nós mesmo jogamos em qualquer lugar e a prefeitura não os mantém desobstruídos. A limpeza de bueiros é sempre emergencial, após as tragédias. Deve ser constante, assim como a população tem que ser educada para não jogar lixo em qualquer lugar.

Especificamente desta vez, a chuva forte por mais de 24 horas se combinou à maré alta. Contudo, não vivemos nas épocas de poucos recursos tecnológicos e nenhuma observação de fenômenos naturais. A prontidão pode e deve ser anterior, e não mais posterior como ainda é. Não vivemos na era da ignorância, mas, parece que pouco e mal usamos mecanismos técnicos de prevenção de tragédias anunciadas.

E ainda não parou de chover por aqui não. E nesse exato momento, pouco antes das 16 horas, a chuva está caindo forte e venta pra dedéu...

Entre montanhas e o oceano...

O estado do Rio de Janeiro cresceu meio que entre as imponentes Serra da Mantiqueira e Serra do Mar. Nossos horizontes são montanhas e oceano. Por isso, é tão úmido aqui e chove bastante.

A população ocupa as encostas do Rio sem noção ou com noção, com habite-se ou sem habite-se, no risco. Risco administrado entre votos e propinas. Risco omitido no desrespeito à leis ou em sua mudança. A ocupação irregular e de risco é incentivada até por ôtoridades ávidas por faturar votinhos e/ou propinas.

Deslizamentos, portanto, são eventos prováveis. Viram catástrofes trágicas quando a irresponsabilidade dos administradores públicos se combina ao tempo natural dos fenômenos climáticos e geológicos. E piora tudo quando o clima no planeta já está mudado o suficiente para tornar fenômenos naturais mais fortes.

Então, bora cobrar das ôtoridades que ouçam os técnicos, que decidam com base técnica e não eleitoreira e populista, e que tenham responsabilidade para investir devidamente o sagrado dinheirinho dos nossos impostos. Em cada pedacinho do Brasil...

Culpar a chuva o caramba. Chuva é fator determinante. Responsáveis são aqueles que elegemos para administrar o lugar em que vivemos e que permitem que eventos naturais, secularmente, prováveis se tornem tragédias.

E responsáveis somos nós também, por nos conformarmos com o improviso e não reivindicarmos nossos direitos.

Olha que interessante, tem exemplo de 1854 na matéria sobre o costume de se responsabilizar a natureza por problemas: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/03/27/para-justificar-mau-servico-empresas-apostam-em-desculpas-esfarrapadas-916188684.asp

Sugestão pro seu Cabral:

Que o Mapa Geoambiental do Rio de Janeiro seja livro de cabeceira do governador do Estado. Ele pode aproveitar e presentear os prefeitos com o estudo técnico elaborado, em 2001, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Inacreditável e surreal

"Nós temos agora que esperar passar a chuva", diz o presidente do nosso país. Nossa, que sabedoria.

E segue com o proselitismo: "E temos que tentar fazer aos poucos o sistema de drenagem funcionar". Aos poucos, tentar?

Infelizmente, não gostamos de lembrar do passado. Se cultivássemos a memória histórica nos lembraríamos que no início do governo lula o Rio de Janeiro sofreu com a falta de investimentos do governo federal no estado.

E não é a propaganda de obras do PAC que resolve problemas seculares da capital e do Estado.

"Quando acontece uma desgraça, acontece", sentencia o presidente. E aviltante e irresponsavelmente ainda tem a cara de pau de afirmar: "O rio de janeiro está preparado para fazer a Copa do Mundo e as Olimpíadas com tranquilidade".

Ahan...


Sustentabilidade é o assunto mais global, importante e atual do planeta. Tem a ver com tudo que fazemos e deixamos de fazer, está em todo setores econômicos e atividades profissionais. Por isso, aproveito a internet para fazer circular os Ecos Lógicos. Pode parecer chato, mas, não custa nada dar uma olhadinha e compartilhar como é lógico dar eco à sustentabilidade. Se você não se interessar, por favor, não delete, encaminhe para seus contatos.

Eco Lógico Sustentabilidade { Produção editorial de Beatriz Diniz [JP 24133/RJ], sem fins comerciais. Compartilhe o conteúdo sempre citando as fontes consultadas.

domingo, 20 de setembro de 2009

Tudo cinza

Andando ontem pela rua Jardim Botânico, notei que todos os carros parados no sinal - e não eram poucos - eram da mesma cor, todos em tons de cinza, uma coisa meio grafite, meio prata, ou pretos. Essa monotonia cromática só era quebrada pelo amarelo-desmaiado dos taxis, uns poucos carros brancos e pelos eventuais clássicos carros vermelhos. Ouvi dizer, ou li em algum lugar, que os carros vermelhos eram os mais assaltados em sinais de trânsito, não sei se é verdade... esquisito que uma cor possa chamar mais a atenção do ladrão, mas não duvido nada que a cidade maravilhosa tenha inconscientemente cedido à direção de arte da bandidagem...

Essa estranha constatação desencadeou uma série de memórias da minha infãncia e adolescência: lembrei das várias cores dos fusquinhas - minha mãe tinha um ocre - havia os verde-abacate, os azulões, os azul-calcinha. Meu pai teve um chevette carinhosamente apelidado de Trovão Azul, "Trovão", para os íntimos. Tinha um amigo que era dono de um baja chamado Quindim e uma amiga que tinha um fusca vermelho, o Bombeirinho. As cores davam personalidade aos carros, faziam deles parte da turma, ou da família.

Você pode estar pensando que estou com saudades dos carros coloridos, mas não estou. Ou pode estar se perguntando que importância tem essa minha observação: nenhuma. E para que não seja simplesmente muito inútil a postagem, sugiro aos que têm filhos que os entretenham no trânsito com algum joguinho do tipo I Spy, em que os carros coloridos valham pontos, muitos pontos.
Dinho dos Mamonas e sua musa, a Brasília Amarela.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Xô, sacolas plásticas...


O texto a seguir e a logomarca acima são da jornalista Beatriz Diniz. O texto é a respeito de um pequeno, porém importante e educativo, passo rumo à sustentabilidade:

O estado do Rio de Janeiro dá a seus cidadãos condições de tomarem atitudes que fazem muita diferença para o meio ambiente no Brasil e no mundo. Vamos poder devolver sacolas de plástico aos comerciantes e nessa devolução trocar 50 delas por um quilo de arroz ou feijão. Também ganhamos no mínimo R$ 0,03 de desconto a cada cinco itens ao optarmos por bolsas reutilizáveis.

O projeto de lei do governo estadual para substituição pelo comércio das sacolas de plástico por sacolas de materiais reutilizáveis, depois de dois anos engavetado na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), foi aprovado, na quarta 24. Demorou, apesar de importante, teve emendas, mas é um início, e se for ajustado para melhor, será política pública de primeira.
Provocará mudanças positivas de conduta do comércio (que assume o custo de degradação ambiental do setor quando sacolas plásticas são devolvidas ou não usadas pelos consumidores) e de comportamento dos consumidores (que escolhem não levar a sacola plástica oferecida pelo comércio e assim fazem o setor pagar o custo pela degradação ambiental).

O plástico demora mais de 100 anos para se decompor na natureza. As sacolinhas que levamos para casa não são de graça e custam muito mais caro que imaginamos: asfixiam tartarugas, entopem bueiros, favorecem a ocorrência de enchentes. Vemos sacolas plásticas boiando no mar, voando em dias de vento, espalhadas depois de tempestades, no entanto, não fazemos a relação entre esse lixo de plástico, sua livre circulação por tanto tempo, os danos que causam e as nossas compras. O que parece um pequeno desconto para nós é um investimento do setor comercial em compensação ambiental e também representa um ganho global.
Agora, o Rio de Janeiro, que continua lindo, vai ficar ainda mais limpo!

Para mais conteúdo sobre sustentabilidade, digite Beatriz Diniz no Google.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Marte e a arte da guerra

No mês dos arianos, os guerreiros do zodíaco, vou relatar uma batalha pessoal:
Moro num prédio de 3 andares, desses antiguinhos, sem elevador, que dá de frente para uns coqueiros e outro prédio similar. Pois bem, coisa de um ano atrás esse prédio da frente do meu foi abordado por uma companhia que aluga terraços de prédios para instalação de antenas de telefonia celular. A coisa funciona mais ou menos assim: a síndica recebe uma oferta que varia entre 3 e 5 mil e cresce o olho pois os condôminos passam a contar com esse dinheiro para abater mensalmente no valor do condomínio. Uma vez assinado o contrato que cede o terraço, a empresa (agora com plenos poderes) aluga o espaço também para outras operadoras de telefonia: ao invés de uma, normalmente acabam instalando umas quatro ou cinco antenas no alto do prédio.

O problema é que, além da poluição visual, essas antenas emitem ondas de radiação eletromagnética horizontal, que causam diversos males à saúde (enxaqueca, infertilidade, distúrbios do sono, abortos e até câncer) e por isso sua instalação deve obedecer aos critérios das leis que as regulamentam, dentre eles, a distância mínima de 300 metros de áreas residenciais, escolas e hospitais (decreto municipal # 19.260 de 8/12/2000). As companhias de telefonia têm instalado essas antenas de forma irregular e como ninguém faz nada, fica por isso mesmo... mais de 83% das antenas de telefonia móvel da cidade funcionam sem autorização dos órgãos competentes.

É aí que entra Marte na jogada, é preciso ter garra, disposição e acreditar que podemos sim, mudar as coisas, mesmo lutando contra poderosos. É bem verdade que fiquei umas três semanas por conta disso, pesquisando na internet, ligando para uma amiga advogada que me ajudou a descobrir e imprimir a lei e outros casos similares que foram ganhos por moradores, indo à divisão de urbanismo da prefeitura pra abrir um processo, tirando fotos pra anexar ao processo, provando que a inatalação era irregular, o que resultou na visita de uma fiscal da prefeitura e no embargo definitivo da obra de instalação. UFA!

Marte é o que nos dá esse ânimo, coragem e ousadia para lutar pelo que acreditamos. É, portanto, um aliado crucial para a sobrevivência. Por estar ligado à asser
tividade e ao ímpeto, ficou relegado ao plano de "inferior", do competitivo, daquele que compra a briga sem saber o porquê, isso não é Marte, é falta de direcionamento da energia do planeta. Não ter atitude, nem sequer tentar é a pior derrota. Vamos em frente. Salve Jorge!

São Jorge de Roger Mello
http://www.capaduraemcingapura.blogspot.com/

domingo, 16 de novembro de 2008

10 passeios

Inspirada pelo domingão, resolvi fazer uma lista de 10 passeios xô-baixo-astral para se fazer no Rio. Há muitos outros, mas esses foram os primeiros dez que me ocorreram:

1- tomar um banho nas Paineiras;
2- passear de bondinho em Santa Tereza;
3- dar uma caminhada na lagoa;
4- visitar o Jardim Botânico;
5- fazer compras no SAARA;
6- ir à feira de São Cristóvão;
7- comprar flores na CADEG;
8- comer um petisco na mureta do Bar Urca;
9- tomar uma água de coco no Arpoador;
10 - ir ao Maracanã em dia de jogo!

Não há como não alegrar os olhos, e, consequentemente, o coração!



foto: Rodrigo Romano

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Derrota de Paes

Pronto, chegou um texto da Cora Rónai que é justamente o que eu tava precisando publicar aqui:

Abrindo mão das próprias convicções (se é que um dia as teve), aliando-se ao que há de mais podre no estado, gastando rios de dinheiro, jogando sujo, usando descaradamente a máquina estadual, federal e universal, beneficiando-se até de um feriado mal intencionado, enfim, com tudo isso, Eduardo Paes só conseguiu ganhar de Gabeira por 50 mil míseros votos. Como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do ponto de vista pessoal, é uma derrota acachapante.

Eduardo Paes levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar. Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella, para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a Jandira... estou esquecendo alguém?

Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado.

Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração.

Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção.

Agora, lá vamos nós para quatro anos de subserviente nulidade, quatro anos em que o recado das urnas será interpretado, pela corja que domina esta infeliz cidade, como um retumbante "Liberou geral!"
Nojo, nojo, nojo.

domingo, 26 de outubro de 2008

Derrota

Nem acredito...
Perdemos a chance de dar uma virada no jogo de interesses que rege a política.
Perdemos todos, tanto os que votaram em Gabeira, como os que se deixaram iludir pela rica campanha de Eduardo Paes.
A cidade perdeu, o Rio está triste, calado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O presidente nos ameaça no Rio?

Gente, olha, sei que agora em outubro esse blog mais parece um blog de campanha, mas é que não dá pra ficar calada só assistindo sem lutar pela melhoria da qualidade de vida na cidade em que vivemos e que tanto amamos.
Então, mais uma vez, ataco com um texto de Beatriz Diniz, minha amiga jornalista:

Sou cidadã brasileira, natural do Rio de Janeiro, eleitora, pagante de impostos, e não apenas acredito como tenho certeza absoluta que relações institucionais entre esferas de poder não devem, em uma democracia, ser baseadas em interesses partidários, eleitorais ou pessoais.
No entanto, a Justiça Eleitoral permite que o Presidente da República faça campanha para um candidato qualificando como verdadeira a parceria Lula/Cabral/Paes e publicamente vinculando parceria harmoniosa do governo federal com a prefeitura dependendo do prefeito que for eleito pela população.
A cada vez que vejo comercial que divulga o apoio do Presidente Lula à campanha de Eduardo Paes, me sinto ameaçada como cidadã e como eleitora.
Transcrição do Comercial:
Fala do Presidente Lula: "se você tem um Presidente da República e um Governador que estão estabelecendo uma harmonia extraordinária nas relações políticas e nas suas relações administrativas, é importante que a gente tenha um Prefeito afinado com essa harmonia."
Fala do narrador: "uma parceria forte por recursos para levar o PAC a mais comunidades e expandir a rede upa 24 horas a todos os bairros."
Fala do Presidente Lula: "por isso, Sergio Cabral, Eduardo Paes, estejam certos que da minha parte iremos trabalhar harmonicamente e iremos trabalhar fazendo verdadeiras parcerias porque o povo da cidade do Rio de Janeiro merece."
O Presidente parece tentar enganar os eleitores, pois Lula não pode afirmar que o candidato que não apóia não estará afinado com a harmonia já existente entre o governo federal e o governo estadual. O Presidente Lula não pode garantir que harmonia será preservada apenas pelo seu candidato - a não ser que Lula se recuse a estabelecer relações e parcerias harmoniosas com eleitos não apoiados por ele .
No comercial da campanha de Eduardo Paes, Lula afirma que "é importante que a gente tenha um prefeito afinado com essa harmonia", ou seja, fica claro que essa harmonia não é importante para a cidade ou para a população e sim para "a gente", pois que gente é essa senão eles mesmos, Presidente, Governador e candidato do Governador e do Presidente? Isso é democrático e legal, é moral e decoroso um Presidente da república se posicionar publicamente nestes termos?
Se o Presidente afirma que irá trabalhar harmonicamente com Sérgio Cabral e Eduardo Paes, podemos entender que Lula não trabalhará harmonicamente com governadores e prefeitos não apoiados por ele e seu partido? Se o Presidente classifica como verdadeiras as parcerias com o governador e o candidato a prefeito que apóia, então, são falsas as parcerias com governadores e prefeitos não apoiados por Lula e seu partido? Se o Presidente afirma que trabalhará fazendo verdadeiras parcerias porque o povo da cidade merece, Lula quer dizer que parcerias não verdadeiras são o que merece o povo da cidade que eleger candidato diferente do apoiado por ele?
O apoio do Presidente e do governador deve ser a prefeituras e não a prefeitos, deve existir independente de afinidade política, eleitoral ou pessoal. Lula é indecoroso e nos desrespeita ao condicionar recursos do governo federal à eleição de seu candidato a prefeito no Rio, essa condição pode ser interpretada como uma ameaça aos eleitores, aos cidadão e à democracia. Lula, como Presidente, tem obrigação institucional de se relacionar com representantes de outras esferas de poder eleitos democraticamente, e não pode se negar a investir no Rio se o candidato dele não for eleito pela população do Rio. E a justiça eleitoral não deveria permitir que o Presidente de nosso país se preste a esse papel de ameaçar os cidadãos do Rio ao condicionar recursos públicos aos seus interesses eleitorais.

Texto escrito por Beatriz Diniz, jornalista profissional, que trabalhou em 15 campanhas eleitorais (PMDB, PSDB, PT e PDT), e que acredita na vitória da cidadania na cidade do Rio

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Faço votos

Como a sincronicidade não falha, recebi ainda agora por email o texto de Anna Maria Ribeiro que reproduzo aqui. Serve de alerta e orientação aos que insistem em taxar o Gabeira de maconheiro e outras cositas más:

Faço votos para que os eleitores deste Rio de Janeiro tão lindo e tão maltratado percebam, neste segundo turno, que promessas e intenções declaradas em campanha só têm credibilidade quando respaldadas por uma história de vida. Qualquer um pode dizer "eu sou". Muito poucos podem dizer "eu fui". Da mesma forma o "eu vou fazer" diz muito menos do que o "eu fiz".

Faço votos para que os eleitores atentem para o fato inédito de um dos candidatos ter condicionado sua candidatura a uma carta branca que lhe permitisse escolher seus auxiliares - se eleito - por um critério de competência e não por indicações políticas dos partidos que o apoiaram. Tem sido assim, não é? E como resultado constatamos ser a incompetência ainda mais danosa que a corrupção.concorrendo ainda para que esta ocorra. Acreditem! Os prejuízos por ela causados são incalculáveis e seus efeitos perversos atravessam décadas.

Faço votos para que estudem com atenção as propostas deste candidato. Nelas não se faz presente o impossível nem as promessas vãs. Como exemplo: todos nós, é claro, ansiamos por segurança. Mas é possível garanti-la na esfera municipal? Claro que não. No entanto é possível a atuação da Prefeitura numa ação de inteligência que municie com informações valiosas àquelas esferas que têm por dever nossa proteção, possibilitando a adoção de medidas que não sejam meramente pontuais e conjunturais. Isto é prometer o possível. A recondução do Rio ao papel de capital cultural é mais que possível. Ações coordenadas nas áreas de educação, saúde, saneamento e infra-estrutura também são e se conduzidas com competência e pé no chão também terão impacto na área de segurança.

Faço votos para que observem neste candidato a ausência do ódio, do revanchismo, do vociferar, da postura histriônica quando em frente às câmeras e a presença da intervenção firme, corajosa e respeitosa com que sempre ocupou a tribuna ou participou de comissões parlamentares. Nunca jogou para platéia. Jogava para o Brasil. Como sempre o fez, desde muito jovem.

Faço votos para que pessoas como eu - velhas ou terceira idade se preferem - não se abstenham de votar. A Lei não nos obriga, é fato. Mas a gente deveria se obrigar, não é? Pode ser que não se veja pessoalmente o resultado, mas os filhos e netos verão. Não é assim construído o futuro? Conhecemos, ao contrário dos jovens, uma época em que existiam políticos mais sérios. Não eram exceções como este de quem vos falo. E, por que sabemos das coisas podemos dar o exemplo.

Vamos lá. Ainda é tempo.

Faço votos para que os eleitores não acreditem em milagres. Na esfera administrativa eles não existem. Os resultados quando existem são construídos pela competência, pela cultura, pela ética, pelo trabalho, pela união de esforços, pela disseminação do conhecimento, pela compaixão não piegas por este povo tão sofrido.

E se meus votos forem ouvidos teremos orgulhosamente Fernando Gabeira como Prefeito desta cidade maravilhosa que mais que merece melhores dias, não apenas por ser linda e mundialmente conhecida, mas por ser a nossa casa. E casa da gente é muito importante para que dela façamos uma entrega sem pensar.

Anna Maria Ribeiro, 78, é Analista de Sistemas e Roteirista

domingo, 5 de outubro de 2008

Estamos no segundo turno!!!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Nos muros

Agora que desabafei falando das grades, vou falar do que me deixa feliz: os muros grafitados. O grafite é a tatuagem transitória da cidade. Traz cor e vibração para onde havia apenas um muro. Passam os carros, os ônibus, as pessoas e lá está a arte fora do museu, pra todo mundo ver. Presto a maior atenção, adoro!


grafite: FLESHBECKCREW foto: Adriana Pinheiro

Atrás das grades

Sei bem o quanto esse papo de segurança pública é batido e até chato, mas preciso falar das grades dos prédios e do quanto elas me oprimem. Não lembro bem quando foi que isso começou, mas deve ter sido no início dos anos 90: eu estava morando fora do Rio e vim passar férias aqui, de repente percebi que os prédios da rua Prudente de Moraes estavam todos gradeados, com raras exceções. “Que tristeza”, pensei, “agora somos nós que vivemos atrás das grades”. Nunca morei na Prudente de Moraes, mas foi lá que tive o baque. Aliás, tenho a sorte de ter sempre morado em prédios que não aderiram à moda das grades. Sorte é forma de falar, porque houve uma antiga síndica que quis gradear o prédio onde moro, mas não conseguiu maioria na votação, amém.

Não estou nem falando daquelas grades de ferro antiguinhas, que têm um acabamento em arabescos ou setinhas, falo daquelas horrendas de alumínio, ou sei lá que material é aquele, são tubulares e grosseiras, horrendas é bem o termo. Agora mesmo, perto aqui de casa, tem um prédio trocando a grade antiguinha por uma dessas “mudernas”, um horror. O que me intriga é: será que as pessoas se sentem mais seguras assim? Devem achar que sim, de outro modo a empresa que fabrica essa grade já teria falido há tempo. Quem serão os “gênios” que ganham grana fabricando essa porcaria? Porque, na real, se os bandidos quiserem entrar, acho que entram com grade de alumínio acobreada e tudo.

É uma baita inversão de valores viver atrás de grades, como bichos acuados e tristes, enquanto a violência e a impunidade andam soltas por aí. Moramos numa cidade linda e sitiada. Devagar, sem percebermos, vamos nos conformando, nos limitando cada vez mais... não ando na Lagoa de bicicleta à noite sozinha, isso também me entristece, mas seria “conduta de risco”. Outro dia li no jornal que uma moça foi dar queixa por ter sido assaltada na Lagoa e o delegado, ou alguém da delegacia, passou um sermão nela, tipo, “o que a senhora queria? Andando ali naquela hora?” Vamos assim vivendo atrás das grades, dos vidros escuros e dos blindados. Não gosto nem de pensar onde isso vai parar, mas penso na música do mestre Cole Porter, Don´t Fence Me In, e peço para não nos iludirmos com a falsa sensação de segurança que uma grade pode trazer, peço para estarmos cercados de menos conformidade.

foto: Rodrigo Romano