sexta-feira, 3 de abril de 2009

O poeta está vivo

Colcha de retalhos em homenagem ao Cazuza, ariano de 4 de abril de 1958:
Mandava o Brasil mostrar a cara e pedia ao senhor que desse grandeza e coragem aos de alma pequena. Exagerado, carente profissional, o maior abandonado só queria te ganhar num salto mortal de iniciante. Adorava um amor inventado, inventava pra se distrair
e queria ter uma bomba, um flite paralisante qualquer, pra tranformar o tédio em melodia.

Disparava, forte, sua metralhadora de mágoas, nadando contra a corrente, só pra exercitar, o que não podia causar mal nenhum. Sabia que seu caminho nesse mundo teria um brilho incerto e
louco. Cazuza nunca quis pouco, queria mudar o mundo com milhares de metáforas rimadas e segredos de liquidificador. E não se importava que mil raios partissem qualquer sentido vago de razão. Cazuza entrava em todas, sem sair do tom.

Sabia que bastava um segundo pra aprender a amá-lo e precisava dizer que amava, contando casos, besteiras, promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom. E quem teve coragem de ouvir, amanheceu o pensamento. Pediu a saideira, achando que era brincadeira, que ninguém iria reparar. Saiu dessa vida louca vida, vida breve, pegou um trem pras estrelas e só deixou pra mim um bilhetinho
azul que dizia: viver é bom, nas curvas da estrada, solidão, que nada!



foto 1988, jornal O Globo
http://www.cazuza.com.br/

18 comentários:

Anônimo disse...

muito foda esse Cazuza!

JuSaad disse...

Adriana, que texto vigoroso! Mostra o Cazuza forte, assim como tbém exibe o seu talento, amiga. A sua escrita está cada vez melhor emais cheia de verve!

Julinha disse...

Dri,
Passei mal vendo aquele filme ontem...Fã de carteirinha!!!
Arrasou no texto!
Beijos
Julie

Rodrigo Romano disse...

que texto maravilhoso!
adorei
bjo

Renata disse...

TEXTO BRILHANTE !
tenho adoração pelo Cazuza ...sou muita fã ...meu eterno poeta ...tudo me emociona muito quando o tema é Cazuza ...
PS: O que é o Daniel Oliveira !?!?!?! Está sensacional...sem palavras.
bjocas,

Anônimo disse...

Nunca fui muito fã do Cazuza, mas o texto tá realmente muito bom. Deveria publicá-lo em um veículo de maior alcance.. parabéns

Adriana Pinheiro disse...

credo...

Bia disse...

amiga,
realmente vc estava inspiradíssima, ARRASOU!!!!!!
Bjs

Anônimo disse...

É só mandar este texto para a Sociedade Viva Cazuza.
Vc, acaba de virar uma escritora!

Parabéns!!!Cadê a Lucinha?

Anônimo disse...

Adriana,

Vc faz parte do meu show!!!
Continue amiga!!!

Anônimo disse...

Adriana,

Conheci seu blog ao ler seu recado no site do Cazuza. Sabe que desde o lançamento do filme, eu reluto em assisti-lo. Nunca entendi porque, ao mesmo tempo que existia uma grande vontade de ve-lo, eu nunca o vi. Ontem, quando passou em rede nacional, me senti na obrigação de enfim assisti-lo. Eu gostei muito do filme, enquanto filme, mas acho que está muito longe do que realmente deveria ser mostrado do Cazuza.

Seu texto é muito bonito, nada melhor do que falar com as próprias palavras dele, reforçando a verdade de cada palavra.

Gostaria que você também desse uma lida no que escrevi em http://www.themoon.com.br/jeff/?p=808

Anônimo disse...

Cazuza é tudo de bom: verdadeiro, alegre, deu a cara à tapa assumindo publicamente a bissexualidade e a doença. Genial, autêntico, grande cara! Faz falta nesse mar de gente que não diz ao que veio.

vitto meirelles disse...

engraçado e fiquei arrepiado ,passei o dia cantando todo amor que houver nessa vida sem saber que era o dia do seu aniversàario , valeu DRI;;;

Naná disse...

Dri,parabéns pelo texto,muito, muito, muito bom! Parabéns,bjks,Naná.

Gabi Lacombe disse...

Amada! Só agora consegui entrar no blog... E que delícia de texto bom!
Também vi o filme pela segunda vez e me emocionei como na primeira! O melhor é que como é um passado recente pudemos acompanhar um pouco... e (relativamente) de perto!
Tá cada vez melhor passar por aqui!
Um beijo enorme

Mari Cotrim disse...

Que texto mais lindo...

bj, Mari

flavio disse...

caraca irmã, ficou muito maneiro o o texto sobre o cazuzinha... amei!
beijos e te amo

Anônimo disse...

Nem mesmo o tempo pode apagar um cometa chamado Cazuza.
Obrigada por acessar sua página. Lucinha Araújo