Acabo de ler o primeiro livro da trilogia de E L James, Cinquenta Tons de Cinza. O livro, que virou o hit do momento, segundo uma amiga minha, o "Harry Potter da mulherada", é um mergulho no erotismo, o que já torna a leitura instigante e interessante. Afinal, qualquer coisa que desperte a chama e nos faça explorar um pouco mais a sexualidade é em si um tônico. Já tô no 2!
Como recém li o Intimidade, da antropóloga Mirian Goldenberg, alguns conceitos dela me vêm à mente. O primeiro deles é o nosso desejo intrínseco de agradar ao parceiro. Queremos agradar, nascemos para agradar, nos agrada agradar. Na relação entre os personagens do 50 Tons, há um contrato explícito de dominação e submissão. Contrato esse que descofio estar presente na maioria dos relacionametos amorosos. Só que, diferente da narrativa do livro, essa questão está velada, implícita, não assumida, como se fossem aquelas letrinhas minúsculas que nunca ninguém lê... - O que agrada e o que desagrada o parceiro. O que devo fazer para ser recompensada? O que tenho medo de fazer e ser punida? - Cada relacionamento tem lá seu próprio jogo de poder... Cabe um alerta: quase sempre o que é obvio é invertido: "As vezes quem pede perdão é que está perdoando, e da vida recebe o troco quem paga pra ver..." como diz tão lindamente a poesia do samba Deixa de dar Defeito de autoria do meu amigo Rogê em parceria com Marcelinho Moreira.
Há muitos outros conceitos de Mirian presentes na trilogia, além desse da necessidade de agradar: o do corpo como capital, o da autovalorização pautada no ser a única na vida do parceiro, mas o conceito que mais me assusta é o da "miséria subjetiva". É o seguinte: em suas pesquisas com mulheres brasileiras, a antropóloga descobriu que a queixa da falta é recorrente. Umas queixam-se de falta de afeto na relação, outras, de falta de intimidade, outras ainda, da falta da relação em si... falta isso, falta aquilo, a lista das faltas é infinda... Mirian chama essa falta de miséria subjetiva. E voilá, na trilogia dos 50 Tons, lá está a falta... Como assim tanto e tão pouco?
Entendo que a falta é o que nos move, sem ela, poderíamos ficar mediocremente estagnados... E sei que a alma tem muitos anseios, cada um/uma de nós tem em si seu buraco negro... (Isso deve remontar a Freud e sua teoria de inveja do pênis... não sei, chego a pensar na falta como algo descrito na nossa própria anatomia... ) Mas a questão é que não quero ser um poço de insaciabilidade. Me recuso a pautar a vida no que me falta. E quando me sinto muito queixosa e faltosa, terror ao qual não sou imune, tento fazer o exercício de pensar no que eu tenho. Quero focar na metade cheia do copo. Xô xô, de mim, miséria subjetiva!
mais um samba, o samba salva! MANEIRAS, na voz do rei Zeca -
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sábado, 15 de setembro de 2012
50 tons - preto no branco, cores berrantes e aquarelas
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
Adolescência, sexualidade, orientação e limites
Estava jantando numa varanda e não pude deixar de observar as garotas adolescentes passando em grupo a caminho das casas noturnas de um balneário carioca. A faixa etária variava dos 13 aos 16 anos. O invariável era o figurino: todas vestiam uma blusinha com certo brilho, ultra mini micro saia e sapatos de salto muito alto. A aberração era o comprimento das saias - ou a falta dele! Não se trata de moralismo, não sou nenhuma paladina da moral e dos bons costumes, mas estavam todas vestidas de periguetes! (Nem vou entrar no mérito da cafonice master dos saltos super altos numa cidade praiana...)
O impacto das ínfimas saias, que acabavam exatamente no início das coxas e nem um milímetro a mais, era tal que, se uma daquelas garotas fosse, por desventura, vítima de violência sexual, tenho certeza que alguém argumentaria a favor do estuprador, dizendo que ela estava pedindo para que isso acontecesse... Me pergunto se os pais (ou responsáveis) acham pertinente, ou ainda por que permitem, que uma mocinha em idade tão tenra saia por aí "vestida para matar". Me pergunto se alguma vez já conversaram com as filhas no intuito de esclarecer questões sobre sexualidade e sobre a impressão, as vezes totalmente errônea, que uma vestimenta pode causar. O amigo que estava comigo observou tratar-se de um fenômeno da moda Big Brother Brasil... Moda muito deselegante, equivocada e - por que não dizer - perigosa.
Sendo astróloga e terapeuta, parte da minha missão consiste em observar
comportamentos e seus desdobramentos. Sei perfeitamente que a
adolescência é a fase das descobertas e experimentações, da emergência
da sexualidade, da urgência de pertencer ou ser aceita em determinados
grupos. E do desabrochar da questão ainda mais profunda que costuma acompanhar as
mulheres na vida adulta: a capacidade de despertar o desejo no sexo
oposto como validação da sua feminilidade e às vezes, existência.
Apesar do deleite que ser desejada causa na auto estima do feminino, creio que o anseio vá além: as meninas - e mulheres - querem também ser amadas, descobrir os meandros do corpo e as delícias do sexo com um parceiro que seja de alguma forma atento também a dar prazer. Com uma iniciação sexual carinhosa, mesmo apesar dos inevitáveis atropelos da adolescência, podemos construir uma base mais inteira para a sexualidade na vida adulta.
Fica a pergunta: a quem cabe a educação sexual dos nossos filhos?
Se você tem um filho ou filha adolescentes e não sabe muito bem como abordar o assunto, recomendo que lhe presenteie com o livro Sexo e Amor para os Jovens, do psicanalista Flavio Gikovate. É objetivo, franco e certamente um bom começo de conversa.
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