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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ventanias

Continuar esperar
esperança entrar,
se escolho ou se tenho,
sem saber empenho.

Cada uma
deixando nascer,
Não irá abortar
com medo de crescer.

Comum então será o dia,
em que loucas ventanias
olhar-se-ão,
reconhecendo teores,abraçando dimensões.

São dimensões urbanas
essas a que me jogo.

Às vezes danço sozinha,
como na panela,
não tenho nome,
às vezes ando distraída.



foto: Maria Cardim, Corumbau, 2010

Ainda do mesmo livro:

Outubro

O que tenho para falar
acontece.
Percebe-se olhando
o que entra,
envolve e passa,
acontece.

A lua nova de outubro
passando estremece e...
vai, continua empurrando,
envelhece e vive.

Viver é envelhecer,
viver envelhece.

Ventanias e Outubro são poemas de Solange Casotti, do livro Ventanias, Sete Letras, 1997.


quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O Sol no mapa natal

No mês de Leão, uma homenagem ao astro-rei:
Força vital da galáxia e do mapa natal, o sol é um símbolo da nossa individualidade e auto expressão, uma fonte de energia e luz. O sol no mapa natal é como uma seta apontando uma direção na vida do indivíduo. Dizemos que somos daquele signo (signo solar), mas devemos de fato desenvolver conscientemente as qualidades desse determinado signo (e também das atividades relativas à casa do sol natal), pois representam algo vital ligado ao nosso potencial. Quando expressamos as qualidades do nosso sol, estamos contribuindo para o todo, como um instrumento que faz parte de uma orquestra. É a nossa capacidade de nos tornarmos quem somos e, é claro, servimos melhor quando somos nós mesmos. Psicologicamente, é o princípio da polaridade yang, masculina e ativa da carta natal, o animus, individuação, identidade, diferenciação.

Todo mapa natal conta uma historia: no princípio da vida, somos mais lunares, mais instintivos e indiferenciados. A lua indica onde e como somos afetados pelo meio, o sol indica onde e como afetamos o meio. O sol é o nosso herói, e o herói tem uma jornada a cumprir, o desenvolvimento da personalidade. Essa jornada começa com o nascimento. Em alguns momentos da vida, recebemos “o chamado para aventura”. Assim como o herói dos contos de fadas, receberemos ajuda e também teremos empecilhos e dificuldades (sabotadores, sombra).

O planeta regente do signo solar pode ser um grande aliado nessa aventura, é essencial que ele seja usado como instrumento de batalha. A batalha com o dragão (o lado de nós que deseja permanecer indiferenciado, que tem medo de mudar, de brilhar, medo de não ser mais amado, medo da solidão) é parte intrínseca dessa jornada. Essa solidão é sentida até encontrarmos a nossa orquestra, a nossa família espiritual. A carta natal pode indicar que planetas são nossos aliados na jornada, e que outros planetas sentimos como inimigos. Algum prêmio é obtido com a derrota do dragão, geralmente, algo que nos dá propósito, significado, que faz a batalha valer a pena. Ao desenvolvermos características solares, passamos a ter vontade e escolha. Há no entanto o perigo de nos tornarmos arrogantes ou dissociados do princípio lunar, dos nossos instintos e emoções. Essa dissociação é altamente destrutiva. Devemos buscar um equilíbrio entre os dois princípios:

“Ganhar liberdade das flutuações da natureza, das emoções, dos instintos e do meio é uma coisa, aliená-los é outra coisa. O ego ocidental não apenas libertou-se da Grande Mãe, mas lesou severamente sua profunda interconexão com ela. Essa ferida se ampliou, não apenas entre ego X natureza, mas entre ego X corpo” (Ken Wilber)

Referências literárias - Os Luminares, Liz Greene e Howard Sasportas

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A Lua no mapa natal

As pessoas normalmente falam o seu signo (posição do Sol) e o signo ascendente, deixando de fora o signo da Lua. Dizer onde está a lua no mapa natal entrega muito sobre quem somos intimamente... Em homenagem ao nome desse blog e à lua cheia do mês de aniversário dos cancerianos, aí vai um resumo sobre o significado dela no mapa natal:

O signo, aspectos e casa da Lua natal descrevem a fonte de nutrição mais básica do indivíduo, como ele é na intimidade, na sua casa, como foi seu passado, sua família, sua infância. Altamente ligada ao feminino (anima), representa o nosso lado yin, as necessidades emocionais, a sensibilidade e mutabilidade, energia receptiva, passiva, reflexiva que rege as nossas emoções e reações.

Por ser o “planeta” mais próximo da terra, a Lua completa seu ciclo zodiacal aproximadamente a cada 28 dias (ciclo menstrual), alterando, com seus ciclos, o fluxo das marés, os partos e concepções, e o plantio e colheita de alimentos. O corpo humano, à semelhança da Terra, é constituído por cerca de 80% de água, e está sujeito às “marés biológicas”, que resultam em mudanças de humor e transbordamentos da energia emocional. A influência da Lua sobre o comportamento humano tem sido objeto de muitas crenças e folclores (como o do Lobisomem). O termo “lunático”, por exemplo, descreve precisamente esse tipo de transbordamento emocional.

Na mitologia, a Lua é a Grande Mãe, representante do matriarcado. Deusas regentes do lar e da família, como Hera; da vida selvagem e das feras, como Ártemis; da fartura de alimentos, da fertilidade, e de toda a vida na Terra, como Deméter e Gaia; dos mistérios do útero, do nascimento e da morte, e, em sua face mais oculta ou obscura, deusas feiticeiras como Hécate ou Circe, ou mesmo Perséfone; todas deusas lunares. Representações lunares estão associadas às tríades, numa alusão às fases da lua, (a quarta fase sendo oculta). Tudo tem o seu ciclo: o impulso criativo, a vida familiar, os relacionamentos, a própria história. Tudo passa e volta a passar, como uma grande ciranda, e “não há nada de novo sob o Sol”, porque a Lua já fez tudo antes. As fases da Lua representam a vida orgânica em todo o seu ciclo: concepção, gravidez, nascimento, infância, puberdade, maturação, envelhecimento e morte.

É fácil idealizar a consciência lunar, até como contraponto a tanto poder destrutivo contra a natureza gerado por excesso de racionalidade e vontade (Sol). No entanto, é preciso trabalhar com os opostos em harmonia, pois o excesso de consciência lunar reprime o valor da expressão individual em prol da tribo, ou da família. Permanecer em consciência lunar significa não crescer, não se diferenciar, não se individuar. Muitos empregos estáveis e enfadonhos e relacionamentos insatisfatórios e sufocantes operam com o princípio lunar, sacrificando o crescimento do indivíduo pela segurança que provêm. Por outro lado, dá para se ter um panorama do que acontece quando somos de tal forma dissociados da nossa ligação com a Lua (anima) que negligenciamos as necessidades do corpo e, num plano mais coletivo, depredamos a Terra e destruímos a natureza. Sem os cuidados necessários, adoecemos.

Ter consciência dos nossos conflitos e nossas necessidades ajuda demais a estabelecer uma melhor relação com a nossa “criança interior”, principalmente se nos tornarmos a “Grande Mãe” responsável por ela, cuidando para que esteja minimamente nutrida; sem depositar no outro a responsabilidade total de cuidá-la. Afinal, a Lua é, fisicamente, cheia de crateras e não há relação íntima, emprego ou o que seja que possa cuidar do preenchimento de todas elas.

Referências Literárias:
Os Luminares – Liz Greene e Howard Sasportas
Ciclos Astrológicos e Períodos de Crise – John Townley