Quem é brasileiro sabe que a novela das oito não é apenas um folhetim para simples entretenimento: é um verdadeiro veículo de influência comportamental, talvez o mais influente de todos. Daí a importância da sensibilidade do autor quando resolve abordar temas como infidelidade, preconceito, corrupção, violência doméstica e drogas. Se ele vai tocar nesses assuntos, que o faça de forma honesta e inteligente, ciente de que sua abordagem influenciará cabeças e comportamentos do Oiapoque ao Chuí.
Não vou sair explanando um por um desses assuntos, só quero falar de uma coisa: que horror total aconteceu com a mulher que traiu o marido com o melhor amigo dele na novela?
Primeiro, ela ficou indigente, dormindo pelas ruas da cidade, sem rumo e sem acolhimento. Nenhuma boa alma lhe estendeu a mão. O autor tinha ali uma oportunidade incrível de mostrar que as pessoas podem, num ato de solidariedade, salvar a vida do outro. Mas não. A adúltera virou uma espécia de mendiga surtada da cidade cenográfica. Depois de quase ser violentada, contraiu uma doença gravíssima. Nessa hora, o marido, apiedado, a acolheu. Então ela morre, numa cena ridícula, pedindo perdão ao marido e ao amante, implorando que os dois voltem a ser amigos, pois tudo o que aconteceu havia sido culpa dela, só dela.
Gente, João Emanuel Carneiro perdeu a noção! Aos que dizem que ele é o autor revelação do momento, digo o seguinte: autor revelação prêmio misoginia 2009! Vai detestar mulher assim lá no inferno!
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
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