Queria vir aqui falar de alguma coisa alegre e bem leve, e de certa forma até que vou chegar lá. Afinal, esse é o meu blog e se ele não tiver uma proposta minimamente pessoal, vai virar alguma coisa falsa que não sou eu. Então aí vai mais uma postagem sobre a morte, mas também e mais primordialmente sobre a vida, essas duas companheiras inseparáveis. Vamos aos fatos: minha irmã Janaina, 12 anos mais jovem que eu, morreu de complicações decorrentes de uma leucemia no último dia 25. Mesmo com o diagnóstico da doença (que ocorreu há mais ou menos um mês) e o tratamento (que se não cura, mata), ela permaneceu alegre, doce, alto astral, forte, mantendo um bom humor diante da adversidade do qual só um sagitariano é capaz.Era uma garota linda e verdadeira. Foi mãe aos 18 anos e levou firmemente adiante o projeto da maternidade e o casamento, teve outra filha aos 26 anos. Ainda assim, se formou bióloga. Era imensamente dedicada às filhas, adorava ser mãe. E só bem recentemente, nos últimos dois anos, investiu, felicíssima, na carreira de doula. Pra quem não sabe, a doula é uma espécie de parteira, mulher que acompanha a gravidez, o parto e o pós-parto, dando suporte físico e emocional à mãe e ao bebê. A doula faz o papel da mulher mais experiente, aquela que visita a casa da nova mãe e faz uma comida ou cuida por algumas horas do filho mais velho da parturiente, por exemplo, pra que esta possa se dedicar ao bebê com mais conforto. A palavra "doula" vem do grego e quer dizer "mulher que serve". Janaina estava maravilhada com a nova formação, queria ajudar, estava à serviço do feminino, sabia fornecer esse amparo. E acho muito lindo que ela tenha encontrado sua vocação assim, servindo às mães e seus filhos, afinal, minha irmã era Janaína, nome de composição iorubá: iya "mãe" + naa "que" + iyin "honra".Para nós que ficamos, uma perda sem explicação, um desfalque irreparável. Não sei se o leitor já ouviu falar dos 5 estágios do luto: negação ou isolamento, raiva, negociação, depressão e aceitação, mas sinto como se eles tivessem sido batidos num liquificador e ficassem se alternando dentro de mim. Vou, mais uma vez, recorrer à frase de Antoine de Saint-Exupéry:"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
homenagem à minha irmã, Mãe Menininha, Mãe de todas as Mães, Janaina, Iemanjá, Rainha do Mar
Se você quiser ler o que o meu irmão, Pedro, escreveu sobre a Janaina, visite http://www.utops.com.br/