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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ventanias

Continuar esperar
esperança entrar,
se escolho ou se tenho,
sem saber empenho.

Cada uma
deixando nascer,
Não irá abortar
com medo de crescer.

Comum então será o dia,
em que loucas ventanias
olhar-se-ão,
reconhecendo teores,abraçando dimensões.

São dimensões urbanas
essas a que me jogo.

Às vezes danço sozinha,
como na panela,
não tenho nome,
às vezes ando distraída.



foto: Maria Cardim, Corumbau, 2010

Ainda do mesmo livro:

Outubro

O que tenho para falar
acontece.
Percebe-se olhando
o que entra,
envolve e passa,
acontece.

A lua nova de outubro
passando estremece e...
vai, continua empurrando,
envelhece e vive.

Viver é envelhecer,
viver envelhece.

Ventanias e Outubro são poemas de Solange Casotti, do livro Ventanias, Sete Letras, 1997.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Areia

Esse lindo poema é da minha amiga, poeta e canceriana, Solange Casotti , e tem tudo a ver com a postagem anterior, O que realmente importa.
Solange tem dois livros publicados: Ventanias (1997) e Tectônicas (2007).

O poema Areia, que transcrevo abaixo, é do Ventanias.

Sensação de vida pura
escorre no mundo
entre plenitudes rachadas.

Palavras catalisam,
lares encobrem,
mundo de cá.

Os que amam têm prazer.

Somos partículas
que são partículas.

Se destino é morte,
que o percurso não seja
mesquinho de amargar.


foto da NASA, contelação de Câncer