quinta-feira, 20 de maio de 2010

O besouro favorito

Give me love
Give me love

Give me peace on earth

Give me light

Give me life

Keep me free from birth

Give me hope

Help me cope, with this heavy load

Trying to touch and reach you

With heart and soul
Om m m m m m m m m m m m m m

M m m my lord . . .

Please take hold of my hand,
that
I might understand you
Won't you please
Oh won't you
Give me Love



Hoje passei o dia em muito boa companhia, escutando
George Harrison, meu Beatle preferido. Pisciano, de 24 de fevereiro de 1943, com ascendente em Libra e Lua em Escorpião. Porque ficava sempre na dele durante as entrevistas no auge da beatlemania, era chamado de "o Beatle quieto" - embora seus amigos garantam que era um ser alegre e falante no convívio. George Harrison era guitarrista, compositor, cantor, produtor de cinema e místico. Sua primeira composição a fazer muito sucesso foi a sensacional While my Guitar Gently Weeps, de 1968. Depois vieram mais clásicos de toda a vida como Something, Here Comes the Sun e Give me Love (Give me Peace on Earth), a lista é enorme...

Em sua busca espiritual, ainda nos Beatles, iniciou a prática de meditação transcendental, aprendeu a tocar cítara e abraçou a tradição Hare Krishna. Com o final da banda, em 1970, teve maior liberdade para mostrar seu trabalho e seu primeiro álbum solo depois da separação,
All Things Must Pass - considerado por muitos um dos melhores discos da história - continha a canção My Sweet Lord. Basta ouvir um acorde de uma das músicas dele que a alma já agradece em elevação. Gente, George é o cara!

Em 1971, foi o primeiro artista do rock a organizar um show humanitário, o Concerto para Bangladesh, no Madison Square Garden, NY, que reuniu mais de 40.000 pessoas e contou com as participações de seus grandes amigos Eric Clapton e Ravi Shankar.

Em novembro de 2001, doente, ciente de que a morte estava próxima, George coordenou com um amigo o que gostaria que acontecesse. Assim, cercado pela mulher, pouquíssimos amigos e ao cântigo de mantras Hare Krishna, foi para o andar de cima. Depois, suas cinzas foram jogadas no rio Ganges.
O vídeo que vou postar aqui é do show Tributo à George Harrison, realizado em 29 de novembro de 2002 no Royal Albert Hall, em Londres. A homenagem ao "quiet beatle", um ano depois da sua morte, foi organizada por sua mulher, Olivia, e pelo amigão Eric Clapton. Reparem na banda: Clapton no violão, o filho de George, Dhani, na primeira guitarra, Paul McCartney no piano, Ringo Starr e Phill Collins nas bateras, Tom Petty na segunda guitarra e Billy Preston no vocal: como tudo de George, é de arrepiar!!! (se o play não funcionar, clique em watch on youtube)



N
a semana passada, em Cannes, Martin Scorcese anunciou que está preparando um documentário sobre a vida de George, Living in the Material World: George Harrison, com lançamento programado para 2011. Oba!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Condição de entrega

Ás vezes nos deparamos com palavras que vão direto ao que sentimos ou ao que estamos vivendo, como se a autora, lá na casa dela, lá na vida dela, pensasse: "deixa eu mandar ver num texto aqui pra fulana de tal que a alma dela vai entender!" É o caso desse texto da Martha Mediros publicado na sua coluna da Revista, O Globo em 02 de maio.
O texto, no entanto, não saiu diretamente das mãos abençoadas de Martha para a minha leitura: ele me foi lido ao telefone, pela voz doce, mansa e segura de uma grande amiga. Não sei como vai cair em cada um que o ler, mas sorvi cada palavra avidamente, junto com o ar que respiro, indo cada vez mais fundo, enquanto elas iam sendo carregadas pela minha corrente saguínea A+ até chegar ao bichão que, graças a deus, bate no compasso.


Vamos à ele:
"CONDIÇÃO DE ENTREGA
Acaba de ser revelado o que uma mulher quer e que Freud nunca descobriu. Ela quer uma relação amorosa equilibrada onde haja romance, surpresa, renovação, confiança, proteção e, sobretudo, condições de entrega. É com essa frase objetiva e certeira que Ney Amaral abre seu livro Cartas a uma Mulher Carente, um texto suave que corria o risco de soar meio paternalista, como sugeria o título, mas não. É apenas suave.

Romance, surpresa etc, não chegam a ser novidade em termos de pré-requisitos para um amor ideal, supondo que amor ideal exista, mas "condição de entrega" me fez erguer o músculo que fica bem em cima da sobrancelha, aquele que faz com que a gente ganhe um ar intrigado, como se tivesse escutado pela primeira vez algo que merece mais atenção.

Mesmo havendo amor e desejo, muitas relações não se sustentam, e fica a pergunta atazanando dentro: por quê? O casal se gosta tanto, o que os impede de manter uma relação estável, divertida e sem tanta neura?

Condição de entrega: se não existir, a relação tampouco existirá pra valer. Será apenas um simulacro, uma tentativa, uma insistência.

Essa condição de entrega vai além da confiança. Você pode ter certeza de que ele é uma pessoa honesta, de que falou a verdade sobre aquele sábado em que não atendeu ao telefone, de que ele realmente chegará na hora que combinou. Mas isso não é tudo. Pra ser mais incômoda: isso não é nada.

A condição de entrega se dá quando não há competitividade, quando o casal não disputa a razão, quando as conversas não têm como fim celebrar a vitória de um sobre o outro. A condição de entrega se dá quando ambos jogam no mesmo time, apenas com estilos diferentes. Um pode ser mais rápido, outro mais lento, um mais aberto, outro mais fechado: posições opostas, mas vestem a mesma camisa.

A condição de entrega se dá quando se sabe que não haverá julgamento sumário. Diga o que disser, o outro não usará suas palavras contra você. Ele pode não concordar com suas ideias, mas jamais desconfiará da sua integridade, não debochará da sua conduta e não rirá do que não for engraçado.

É quando você não precisa fingir que não pensa o que, no fundo, pensa. Nem fingir que não sente o que, na verdade, sente.

Havendo condição de entrega, então, a relação durará para sempre? Sei lá. Pode acabar. Talvez vá. Mas acabará porque o desejo minguou, o amor virou amizade, os dois se distanciaram, algo por aí. Enquanto juntos, houve entrega. Nenhum dos dois sonegou uma parte de si.

Quando não há condição de entrega, pode-se arrastar, prolongar, tentar um amor pra sempre. Mas era você mesmo que estava nessa relação?

Condição de entrega é dar um triplo mortal intuindo que há uma rede lá embaixo, mesmo que todos saibamos que não existe rede pro amor. Mas a sensação da existência dela basta."

Vou dar um beijo na Martha Medeiros.

"Ask me no more" (1906) pintura de Sir Lawrence Alma-Tadema

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Curtinha - Veríssimo ou não Veríssimo?

Recebi hoje essa maravilha de uma querida amiga. É assinado pelo Veríssimo, mas como tudo na rede, a autoria pode até não ser dele... Veríssimo ou não veríssimo, é vero, vérissimo! Espia:

"Uma pessoa é uma coisa muito complicada. Mais complicada que uma pessoa, só duas. Três, então, é um caos, quando não é um drama passional. Mas as pessoas só se definem no seu relacionamento com outras. Ninguém é o que pensa que é, muito menos o que diz que é (...) Ou seja, ninguém é nada sozinho, somos o nosso comportamento com o outro".

Aí, Sonia Mendes - mestra e sábia - terapeuta de familia que, portanto, trabalha com sistemas inter-relacionais, fez o seguinte comentário: "Genial! Veríssimo pensa sistemicamente."
Naturalmente. :)


trabalho dos osgemeos, grafiteiros e artistas plásticos, os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo.

domingo, 9 de maio de 2010

Poema da infância

Outro dia, num lampejo me memória, um poema escrito por mim aos 8 ou 9 anos, veio inteiro na minha cabeça. Uma daquelas coisas que a gente não sabe que sabe e, de repente, recupera no HD! Achei o fato curioso, pois é um poema de um certo cunho político e até bastante triste. Acho que aos oito anos, como uma boa netuniana, eu já sentia as dores do mundo... Por favor não sejam excessivamente exigentes ou críticos com as rimas, afinal, eu era uma garotinha!!

O suor escorre pelo rosto cansado
A fome e a sede o esperam
Da enxada e da pá faz seu lema
Segue firme num só esquema:
De noite, ao chegar em casa,
Mulher e filhos a o esperar
Porém, muito cansado,
Nada come no jantar.
E a vida continua,
No dia seguinte, ao acordar,
Estacas, buracos se abrem,
trabalhador.

sábado, 1 de maio de 2010

Desconexa

O pote estava cada vez mais cheio de frases que não queriam dizer nada, mas diziam. Eram frases, descreviam fases e me diga, o que fazes? Melhor ir fazendo. Escrevia para respirar, mas nessa escrita não tinha pausa para respiro, quando muito, uma vírgula, prima-irmã da vigília.

Aproveita que não tem ninguém olhando... No olho do furacão. O que os olhos não vêem, o coração não sente... maior mentira esse ditado! Quem inventou, gostava de se enganar. Coração sente muito. Pra que olhar nos olhos? Põe silicone e, olha, enxuga essas lágrimas e sai andando. A vida anda, a fila anda, melhor você andar também! Pode andar chorando? Pode, pode tudo, ou quase tudo. A gente é que acha que não.

Um peixe fora d´água, isso é o que você é. Tava tão fora de elemento, a música era boa e o povo fazia pose, muita pose nesse mundo. Ela olhava e não via nada, só estava ali, com as árvores. Será que ficou doida, coitada! Preferia estar em casa com o barulho do vento? Quer saber? Ninguém quer saber! Um sorriso pode te salvar. Um garoto puxou conversa, ela desconversou. O mundo é divertido! Passou a mulher vestida de pipa roxa e ela achou graça, pelo menos era original, estranha de fábrica.

Comeu o pão, roeu a corda, depois emendou a alça que soltou, foi fácil, só dar um nó... Saiu mas voltou. Pensou no amigo e, nessa hora, segurou na própria mão. Quer saber com quantos paus se faz uma canoa? Talvez baste um só, deve depender do quão longe se queira ir... Isso não faz sentido nem tem importância, sinceramente, e daí? Fecha os olhos, flutua na cama e respira bem fundo, quem sabe assim o sono vem e você descansa...

trabalho do artista plástico e grafiteiro Smael

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Bia Diniz - sobre a chuva e o descaso

(Vou publicar o texto da minha amiga, sem tirar, nem por:)

Há mais de 30 anos não se vê uma chuva tão forte como a que cai no Rio de Janeiro desde ontem [segunda, 5 de abril]. Sem dúvida, é uma quantidade enorme de água caindo do céu. Porém, não dá mais para se aceitar que as ôtoridades fiquem sentadinhas em seus gabinetes esperando a chuva chegar e ir embora.

Sempre que chove ocorrem os mesmo problemas por aqui. A água não escoa porque os bueiros estão entupidos de lixo que nós mesmo jogamos em qualquer lugar e a prefeitura não os mantém desobstruídos. A limpeza de bueiros é sempre emergencial, após as tragédias. Deve ser constante, assim como a população tem que ser educada para não jogar lixo em qualquer lugar.

Especificamente desta vez, a chuva forte por mais de 24 horas se combinou à maré alta. Contudo, não vivemos nas épocas de poucos recursos tecnológicos e nenhuma observação de fenômenos naturais. A prontidão pode e deve ser anterior, e não mais posterior como ainda é. Não vivemos na era da ignorância, mas, parece que pouco e mal usamos mecanismos técnicos de prevenção de tragédias anunciadas.

E ainda não parou de chover por aqui não. E nesse exato momento, pouco antes das 16 horas, a chuva está caindo forte e venta pra dedéu...

Entre montanhas e o oceano...

O estado do Rio de Janeiro cresceu meio que entre as imponentes Serra da Mantiqueira e Serra do Mar. Nossos horizontes são montanhas e oceano. Por isso, é tão úmido aqui e chove bastante.

A população ocupa as encostas do Rio sem noção ou com noção, com habite-se ou sem habite-se, no risco. Risco administrado entre votos e propinas. Risco omitido no desrespeito à leis ou em sua mudança. A ocupação irregular e de risco é incentivada até por ôtoridades ávidas por faturar votinhos e/ou propinas.

Deslizamentos, portanto, são eventos prováveis. Viram catástrofes trágicas quando a irresponsabilidade dos administradores públicos se combina ao tempo natural dos fenômenos climáticos e geológicos. E piora tudo quando o clima no planeta já está mudado o suficiente para tornar fenômenos naturais mais fortes.

Então, bora cobrar das ôtoridades que ouçam os técnicos, que decidam com base técnica e não eleitoreira e populista, e que tenham responsabilidade para investir devidamente o sagrado dinheirinho dos nossos impostos. Em cada pedacinho do Brasil...

Culpar a chuva o caramba. Chuva é fator determinante. Responsáveis são aqueles que elegemos para administrar o lugar em que vivemos e que permitem que eventos naturais, secularmente, prováveis se tornem tragédias.

E responsáveis somos nós também, por nos conformarmos com o improviso e não reivindicarmos nossos direitos.

Olha que interessante, tem exemplo de 1854 na matéria sobre o costume de se responsabilizar a natureza por problemas: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/03/27/para-justificar-mau-servico-empresas-apostam-em-desculpas-esfarrapadas-916188684.asp

Sugestão pro seu Cabral:

Que o Mapa Geoambiental do Rio de Janeiro seja livro de cabeceira do governador do Estado. Ele pode aproveitar e presentear os prefeitos com o estudo técnico elaborado, em 2001, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Inacreditável e surreal

"Nós temos agora que esperar passar a chuva", diz o presidente do nosso país. Nossa, que sabedoria.

E segue com o proselitismo: "E temos que tentar fazer aos poucos o sistema de drenagem funcionar". Aos poucos, tentar?

Infelizmente, não gostamos de lembrar do passado. Se cultivássemos a memória histórica nos lembraríamos que no início do governo lula o Rio de Janeiro sofreu com a falta de investimentos do governo federal no estado.

E não é a propaganda de obras do PAC que resolve problemas seculares da capital e do Estado.

"Quando acontece uma desgraça, acontece", sentencia o presidente. E aviltante e irresponsavelmente ainda tem a cara de pau de afirmar: "O rio de janeiro está preparado para fazer a Copa do Mundo e as Olimpíadas com tranquilidade".

Ahan...


Sustentabilidade é o assunto mais global, importante e atual do planeta. Tem a ver com tudo que fazemos e deixamos de fazer, está em todo setores econômicos e atividades profissionais. Por isso, aproveito a internet para fazer circular os Ecos Lógicos. Pode parecer chato, mas, não custa nada dar uma olhadinha e compartilhar como é lógico dar eco à sustentabilidade. Se você não se interessar, por favor, não delete, encaminhe para seus contatos.

Eco Lógico Sustentabilidade { Produção editorial de Beatriz Diniz [JP 24133/RJ], sem fins comerciais. Compartilhe o conteúdo sempre citando as fontes consultadas.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Trânsitos de Plutão, o poderoso

Chamamos de trânsitos de Plutão as períodos em que o nano-planeta lá confins da galáxia faz aspecto (um ângulo) com um planeta que temos na carta natal ou com um importante ângulo do mapa natal (ascendente, descendente, fundo do céu e meio do céu). Como o sujeito anda devagar, seus trânsitos são raros e únicos, e duram cerca de 3 ou 4 anos. Ainda bem que levam esse tempo todo acontecendo, pois as transformações realizadas são tão profunadas que não poderiam mesmo ser elaboradas por nós num período mais curto.

Plutão é Hades na mitologia grega, o senhor dos mortos e do mundo subterrâneo (leia-se senhor do inconsciente), um cara de decisões irrevogáveis, de quem ninguèm (nem Zeus) ousava discordar. Pouco saía do seu reino e, diferente dos demais deuses, que viviam se metendo em várias aventuras amorosas, Hades apaixonou-se uma única vez e abduziu sua amada Perséfone para viver com ele em seu sombrio reinado. Toda mitologia plutoniana está ligada ao processo de morte e renascimento.
Plutão gosta das profundezas, do que é denso e intenso, é um planeta sem olhos para o superficial. Suas transformações são profundas e têm o gosto da irrevocabilidade, de que nunca mais as coisas serão como antes. E não são mesmo. Somos revolvidos por dentro. Quando se fala do senhor da morte, logo pensamos em morte física: na nossa morte ou morte de um ente querido, mas quero ressaltar que, embora as mortes acima não estejam descartadas - nem em trânsitos de Plutão, nem nos de outros planetas - a morte descrita por Plutão é uma morte simbólica. A morte de uma fase, a morte de uma faceta da gente, da morte da inconsciência de determinados aspectos do eu.

O cunho psicológico de um trânsito dessa monta é um maior reconhecimento da nossa essência e de nosso todo para que vivamos mais de acordo com quem somos. Daí termos a impressão de que estamos diante de decisões e escolhas de extrema importância. Na maioria das vezes, a escolha se restringe apenas a simplesmente "fazermos bom grado aquilo que sabemos que temos que fazer", frase do eterno mestre C.G.Jung. Note que a escolha aqui é o estado de ânimo com que encaramos a inevitável batalha.

Trânsitos de Plutão exigem uma viagem aos quartos escuros da alma. Lá, junto com os ratos, medos e aspectos ocultos do eu, estão também nossos maiores tesouros. Não dá pra chegar aos tesouros sem encarar a sujeirada. Gosto da imagem do dragão que guarda o tesouro. O dragão pode ser uma renúncia, uma perda, uma traição, uma rejeição, uma dependêcia, e precisamos enfrentá-lo para poder então fazer o caminho de volta à vida. É sofrido, mas vale a pena. A recompensa é o desabrochar. Crescemos. Nos descobrimos mais fortes do que pensávamos ser, mais íntegros do que éramos e mais alinhados com nosso propósito de vida.

pintura de C.G. Jung, Shadow Cornered (Sombra Encurralada).