sábado, 23 de janeiro de 2010

Escravos da tecnologia

Salve, salve, meus amigos! Estava sumida, meio sem tempo de passar por aqui e rabiscar umas linhas... Brechó e consultório vão bem, obrigada! Sou eu mesma uma confessa escrava da tecnologia... Hoje, meus mapas são calculados pelo computador, tenho esse blog e o brechó é virtual, não preciso mais explicar mais nada, né? Passo horas em frente ao notebook e não gosto nem de pensar em quando ele dá qualquer problema...

Pois, ontem fui ao cinema ver AVATAR, uma festa para os olhos em 3d! O filme traz a velha mensagem da carta do Cacique Seattle, escrita em 1855 ao então presidente dos Estados Unidos, Francis Pierce. A mensagem, por sinal, pode ser velha mas continua atualíssima: somos todos filhos da Terra e estamos, por pura ganância e burrice, matando a nossa mãe. Uma vergonha... um horror, uma temeridade.

Mas o ponto onde quero chegar é o seguinte: na fila em frente à que eu estava sentada, no cinema, tinha uma família, pai, mãe e dois filhos adolescentes. O pai estava com o celular ligado. No meio do filme, o bicho tocou, o homem atendeu e a luz do celular dele ofuscava minha visão já meio doida por causa do oclinhos 3d. Curvei-me para a frente e disse: "dá pra desligar o celular por favor?" Fui educada, mas fiquei pensando... a única desculpa para alguém deixar o celular ligado no cinema é ser mãe e ter deixado o filho recém nascido em casa pela primeira vez para ver um filminho. No mais, se o sujeito não pode desligar o celular por duas horas, é simples, NÃO vá ao cinema!



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mensagens de Natal

Apesar de nunca ter sido lá muito fã do Natal, sempre gostei dos cartões. Agora, ao invés de chegarem pelo correio, eles vêm pela internet e eu continuo adorando recebê-los! Vou postar aqui dois dos que recebi, muito bacanas.

Esse a seguir veio de longe, lá de Fiji, onde mora meu amigo Owen. Espia que simpático, achei quase brasileiro o velhinho tropical, e ainda me fez lembrar minha querida vó Helena, que dizia que ser absurdo a gente aqui ter papai noel vestido de roupa de pelúcia em pleno verão carioca...



E esse aqui abaixo veio de Portugal, da amiga Isabel, teve tudo a ver com o que eu estava sentindo, adorei!



Delícia, né?
Aproveito para desejar um Natal terno e feliz, com de gente querida e alegria e agradeço as visitas aqui ao Mundo da Lua!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Gentileza é amor

Estive recentemente em Brasília para visitar a família. Um pouco na correria, pois é difícil encaixar tanta saudade em poucos dias ... mas foi muito gostoso sentir o acolhimento e o carinho com que fui recebida por cada um dos meus de lá. Pra terem uma idéia, marquei um lanche com uma amiga e, ao chegar em sua casa, havia uma mesa de Natal no jardim! Maravilhoso! Nessa casa, li a seguinte frase: "as pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem."

foto tirada do meu celular do detalhe da mesa da amiga

Nesse mesmo dia, o jantar na casa da outra querida era lagosta grelhada, regada à muita cerveja e muitas boas gargalhadas: uma delícia! Fui dormir todas as noites com a sensação de gratidão pela forma que estava sendo tratada. Muito bom se sentir querida. Nada substitui afeto. É o pão da alma.

Toda essa gentileza me fez pensar na forma como escolhemos tratar nossos pares. É mais corriqueiro ser amável com os que estão longe, com quem vemos pouco. O desafio é ser gentil com quem está ali ao lado, bem pertinho. Valorizar o outro apesar e justamente pela proximidade.

Esse é o meu desejo para todos nós em 2010: gentileza.

rosa branca do jardim mágico de um outro querido em Brasília.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Julie e Julia

Ontem assisti Julie e Julia, uma delícia de filme baseado em duas histórias verdadeiras unidas pela culinária:

Meryl Streep - sempre impecável - interpreta Julia Child, uma figura fantástica, mulher de um diplomata servindo os EUA na França, que resolve aprender a cozinhar com os franceses e acaba estudando Le Cordon Bleu, e revolucionando a culinária americana. Julie Powell , que vive em NY, em 2002, decide tentar cozinhar todas as receitas do livro de culinária publicado por Julia em 1961 e relatar o desafio em um blog. Por favor, assistam!!! Nem preciso dizer o quanto eu, que sou blogueira e adoro cozinhar (e comer), amei o filme!

O que mais me comove nisso tudo é a questão da busca criativa. Mais do que a culinária, o que une essas duas mulheres é a busca por algo que as salve da mesmice, tornando a vida mais leve, mais cheia de significado, mais colorida. O mas lindo nessa busca é a despretensão, o improviso, o fato de um simples passatempo reavivar a nossa alma. Há duas postagens aqui no blog em que falo disso:
Procure um amante e Maria Brechó, um novo projeto. Então, gente querida, vamos nos munir dessas armas tão poderosas! Comprar agulhas, linhas e botões, pincéis, telas, pegar a caneta, abrir o laptop, tocar piano e acordeon, redecorar a casa, plantar um jardim, inventar qualquer coisa, sei lá! O "veneno anti-monotonia" do poeta Cazuza. Ou, como diz outro fabuloso poeta, Arnaldo Antunes na letra da música Socorro, "qualquer coisa que se sinta, tem tantos sentimentos deve ter algum que sirva".

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Oração Natural

Foi através da minha saudosa fada madrinha, Tina Pereira, que primeiro ouvi esse poema que vou postar hoje. Desde que Tina morreu, o escutei outras vezes em homenagens à ela, recitado por seus alunos/filhos da Orquestra de Sopros da Pro-Arte, sem no entanto saber de quem era... A orquestra prossegue com dedicação o trabalho maravilhoso que Tina começou: sábado último, emocionada, os assisti tocando Luiz Eça, no Espaço Tom Jobim, uma lindeza! Foi lá que tive a chance de pedir a uma amiga em comum (obrigada, Tetê!) que me enviasse o poema pelo qual havia me apaixonado, que, agora sei, faz parte do livro Mundo Mudo (2003), do poeta mineiro Donizete Galvão: Oração Natural
Fique atento
ao ritmo,
aos movimentos
do peixe no anzol.
Fique atento
às falas
das pessoas
que só dizem
o necessário.
Fique atento
aos sulcos
de sal
da sua face.
Fique atento
aos frutos tardios
que pendem
da memória.
Fique atento
às raízes
que se trançam
em seu coração.
A atenção:
forma natural
de oração.
foto: do atento amigo Celso Pereira http://celsopereira.com.br/

sábado, 21 de novembro de 2009

Refazenda e abacateiros

Não lembro a idade que eu tinha quando Gil lançou Refazenda, mas adoro a música desde então, e esse "então" é desde que me entendo por gente-amante-de-música - o disco é de 1975. Quem acompanha esse blog sabe que a gente aqui adora abacate: em forma de guacamole, na salada ou no sanduíche de abacate com queijo minas, temperadinhos com sal, azeite e pimenta do reino, uma delícia total.

Ao invés de jogar os caroços fora, os planto em um vaso retangular de terra boa que temos no parapeito da área de serviço, carinhosamente apelidado de "berçário". O berçário está sempre produzindo novos abacateiros. Eles são tão fortes e resilientes que 2 já sobreviveram aos ataques do macaco que os arranca da terra! Os ataques do macaco são um post à parte... basta dizer que o parapeito da área tem aquela tela de rede para os danados não entrarem aqui, o que não os impede de vandalizar as plantinhas vez por outra... mas a gente replanta e os abacateiros ficam lindos, lindos! Temos um amigo que, inspirado nessa idéia, plantou o caroço de abacate num canteiro em frente à casa dele em ipanema. E lá está o abacateiro firme e forte, crescendo em plena Barão da Torre!

Não são só caroços de abacate que planto no berçário, enfio na terra caroço de pitanga, fruta do conde e cajá... Nesse momento há 2 mudas saindo e não sei de que fruta são... Espero que uma delas seja a pitangueira! Um dia, quero morar numa casa ou apartamento com jardim, meu sonho é poder ter canteiros de temperos e plantas medicinais e a ocasional frutífera, um luxo, né?

Quando os abacateiros ficam taludinhos, transferimos pra casa do meu sogro em Itaipava ou vamos dando de presente aos amigos que têm casa fora do Rio ou moram em apartamentos de cobertura com grandes canteiros. Porque os nossos abacateiros precisam virar árvores! São um presente lúdico e original, sem qualquer custo...


Sem foto de um dos nossos, peguei essa na internet...

Pra incrementar essa postagem, vou incluir uma receitinha deliciosa que copiei vendo TV: receita da Salada da Avó da Nigella: alface (eu uso a americana), ervilhas cozidas (podem ser frescas ou congeladas), abacate e hortelã. Na receita original, a Nigella, que é chique, põe endívia também. Eu cozinho as ervilhas em água e sal, escorro, deixo esfriar um pouco e misturo com alface rasgada, folhas de hotelã e abacate picado em quadradinhos. Tempero com sal, pimenta do reino e azeite de oliva. É refrescante e sensacional!

PS - o melhor abacate pra fazer essa salada é o que está maduro, mas ainda durinho. Se ele já estiver mole demais, melhor fazer a guacamole. Se estiver verde, espere amadurecer, porque abacate verde não é gostoso...


Gil no Acústico MTV (2007)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um texto leve

Ando pensando muito sobre uma qualidade humana: a leveza. Querendo trazê-la mais pra pertinho de mim. Há pessoas leves e pessoas pesadas, fases leves e pesados. Não é pra confundir com superficialidade, cabeça de vento, desligamento ou dissociação. Falo apenas de estar leve, ser leve, tomar as coisas pelo lado bom. Ter entusiasmo e ter calma. Talvez a leveza seja não um, mas um conjunto de atributos.

Bom humor e bom senso são as qualidades que Sogyal Rimpoche descreve como sendo as que mais nos ajudarão diante das adversidades da vida. Concordo. Difícil não perder a leveza na correria da vida que levamos, no stress das mil coisas, mas temos que tornar a buscá-la ao invés de simplesmente esperarmos que ela "aconteça". Pois ela torna tudo mais fácil, mais fluido e mais leve! A leveza olha tudo de uma outra perspectiva. Sabe levar. Eleva. Às vezes, até releva.

Como cultivar a leveza: comtemplar a natureza, ouvir música, cantar, beijar, transar, praticar esportes, comer frutas, sorrir, tomar banho (de chuveiro, banheira, chuva, mar, cachoeira). Pensar leve. Arejar a cabeça para ter a cuca freca. A leveza é muito amiga do frescor, estão sempre juntos. Respirar, respirar, respirar.
PS - last but not least - dar aquela "geral" na bagagem emocional e jogar fora o que não tem mais serventia também ajuda demais a cultivar a leveza... dá um certo trabalho e pode doer um pouquinho... mas é libertador!

leve ilustração (deconheço o autor).